Jovens ribeirinhos e indígenas participam da I Conferência Municipal da Juventude

7 de dezembro de 2018 por Samela Bonfim

Protagonistas da transformação social os jovens de coletivos apoiados pelo PSA se uniram aos mais de duzentos participantes da primeira edição do evento realizada na última quinta-feira (06) no auditório do Instituto de Ensino Superior para construir um planejamento para melhorar políticas públicas.

“É muito legal saber que nós povos tradicionais temos voz. Nós mostramos isso na conferência. Estavamos lá ribeirinhos e indígenas buscando o mesmo objetivo: a implementação de políticas públicas para a reserva extrativista Tapajós arapiuns” – comentou o jovem Luiz Henrique Lopes Ferreira morador da comunidade Carão. 

Para um dos integrantes dos projetos desenvolvidos pelo Saúde e Alegria participar da primeira conferência foi uma experiência transformadora: “de alguma forma estamos marcando um ato histórico para Santarém. Pudemos trabalhar alguns eixos temáticos como saúde, educação, trabalho e renda onde pudemos dar a nossa visão jovem para isso tudo”.

Durante o evento foram discutidos cinco eixos: Educação; Saúde; Segurança Pública; Trabalho, Emprego e Renda;
Esporte, Cultura e Lazer. A discussão faz parte de uma iniciativa que lembra a lei de número 19.689 aprovada em 2015 que instituiu a criação do Conselho Municipal da Juventude. Parada desde a sanção é fundamental para lutar por políticas públicas da juventude. No evento uma comissão de reestruturação da lei Votação foi composta por sete representantes governamentais e sete não governamentais, dentre os quais, Walter Oliveira – educomunicador do projeto Saúde e Alegria. 

“É importante que a juventude esteja nesses espaços que são delas, ainda mais quando se fala da juventude das comunidades ribeirinhas da qual faço parte, porque vamos estar discutindo juntos com outros seis o que é melhor todos, uma vez que só se lembram de políticas públicas para a juventude da cidade e acabam esquecendo dos jovens que estão em busca de melhorias dentro de suas comunidades” – explica Oliveira. 

Para o coordenador de educação e comunicação do PSA Fábio Pena, a conferência é um importante passo de consolidação das atividades realizadas pela entidade não governamental que promove o protagonismo juvenil: “No Projeto Rede de Juventude Floresta Ativa desenvolvido com o apoio do projeto Caritas Suíça a gente desenvolve diversas atividades para a formação e o engajamento de jovens nas comunidades. Faz parte desse trabalho a formação de lideranças jovens para que eles possam saber se expressar e negociar suas demandas nos espaços públicos, políticas públicas. A participação deles nessa conferência é um dos resultados porque eles participaram a entender os seus direitos naquilo que não está sendo garantido na prática” – ressalta.

Restaurante na comunidade e máquina de colher mandioca estão entre projetos desenvolvidos no Beiradão de Oportunidades

30 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Última fase do Beiradão 2018 aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro. Capacitação em empreendedorismo com jovens ribeirinhos na Amazônia propõe iniciativas criativas e empreendedoras a partir dos potenciais da própria região. Neste ultimo ciclo os participantes construíram roteiro e planejaram a apresentação do modelo de negócios

Na comunidade São Pedro região do Rio Arapiuns grande parte dos moradores sobrevive da agricultura com atividade voltada ao plantio de mandioca. Devido ao intenso esforço da retirada da raiz, as jovens Daiana Pereira e Adria dos Santos, moradoras da comunidade decidiram criar um instrumento que facilite a colheita dos moradores e gere renda.

“Muitas pessoas sofriam com dores nas costas e percebemos que isso era por conta da maneira como retiraram a mandioca. Então vamos fazer uma maquina, a Velomaq que vai ser instrumento para facilitar a vida do agricultor. Essa maquina vai extrair mais rápido a mandioca do que manualmente e será adaptável a altura do agricultor, a produtividade será maior e sua renda aumentará” – contou Daiana animada sobre a implantação do projeto incentivado pelo Saúde e Alegria.

Em Maripá no Rio Tapajós um restaurante está movimentando a comunidade. A dedicação ao campo e respectiva falta de tempo para fazer o almoço foi observada pelo trio integrante do Beiradão de Oportunidades. Jessica Cardoso, Tiago Assunção e Fernanda Lima resolveram inaugurar o Restaurante Peixe e Cia. Em uma primeira experiência com a venda de comidas os empreendedores obtiveram um numero expressivo de clientes internos e externos, conta

Cardoso: “A gente atingiu o numero de 75 famílias que tem lá e vendeu para 36, fora os turistas que passam por lá. Vendemos pra comunidade, carne e frango, assado de panela e verduras no cardápio. Para os turistas, pratos bem regionais, com os produtos de tempo como farofa de caju com Curuá”.

O que é Beiradão?

Um processo de formação de jovens empreendedores que engloba conceitos de negócios sociais e tecnologias, auxiliando os jovens na geração de ideias inovadoras que surgem para solucionar problemas que estão inseridos em algum contexto social.

“Esta é a 10ª turma do curso, sendo que vários pequenos negócios já foram montados e estão em funcionamento nas comunidades, abrindo novas perspectivas de renda para o jovem do campo que não tem muitas oportunidades de emprego”, explica Paulo Lima, coordenador do programa de empreendedorismo do PSA.

O curso faz parte de uma estratégia maior do Saúde e Alegria, que visa contribuir para uma melhoria das condições de vida e para um desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens de comunidades da Amazônia. “Isso inclui além de estratégias de mobilização social, a criação de oportunidades de trabalho e renda para que os jovens das comunidades possam ter a oportunidade de fazer escolhas, sair ou ficar da comunidade, mas com clareza para construir seus projetos de vida plenamente”, conclui Fábio Pena, da coordenação de educação do PSA.

O projeto organizado pelo Projeto Saúde & Alegria (PSA) conta atualmente com o apoio da Fundação Cáritas Suíça e colaboração da Fundação Konrad Adenauer.

Levantamento de sementes marca seminário em Aveiro na Floresta Nacional do Tapajós

29 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

De 26 a 28 de novembro moradores da comunidade participaram do evento que incentiva a produção sustentável de diferentes plantas como forma de manter o ecossistema e extrair dele a renda familiar

Tipos de sementes de plantas aromáticas, plantas frutíferas, ervas medicinais e arvores lenhosas (capazes de produzir madeira dos seus caules) foram indicados pelos participantes do seminário que idealizam aumentar as produções com fim ao reflorestamento e aumentar o lucro a partir da produção das espécies.

Andiroba, copaíba, castanha, pupunha e Cumaru foram as sementes mais indicadas para a produção de plantas com alto potencial de fabricação de óleos. Açaí, cacau, tucumã e caju foram apontadas como plantas frutíferas importantes para a comercialização na região. Muiracatiara, louro e tauari se destacaram pela capacidade de uso na produção de móveis. Já na categoria das ervas medicinais são algumas das apostas dos moradores: unha de gato, cidreira, canela e mangarataia.

Entusiasmados com a perspectiva de melhorar a cadeia produtiva, os moradores da comunidade São Francisco das Chagas – Rio Cupari no município de Aveiro/Pá, localizada na Floresta Nacional do Tapajós – FLONA desenharam a estrutura que imaginam para as plantações dentro da comunidade e de que maneira irão organizar a divisão do plantio por espécies.

Os frutos de plantas típicas da região Amazônica como Andiroba e o Cumaru são visados pelas indústrias de cosméticos, setor culinário e artesanal. Porém apesar da grande apreciação do comercio nacional e internacional, é preciso incentivar a plantação das arvores dessas espécies e fomentar a produtividade sustentável.

Os moradores da comunidade conheceram técnicas de coleta para a venda das sementes e tiveram acesso a estratégias de conservação dos recursos da natureza como método de capacitação continua em técnicas e sistemas produtivos mais modernos e eficientes, que ao mesmo tempo preservem a floresta e garantam renda aos extrativistas.

O responsável pela atividade e coordenador do CEFA – Steve Mcqueen enfatizou a proposta do seminário: “Representa o fortalecimento da cadeia de sementes na região do Tapajós onde as comunidades que já desenvolvem o trabalho de extrativismo vão ter a oportunidade de avançar nessa cadeia das sementes. A gente espera poder junto com os parceiros, desenvolver um trabalho de coleta, capacitação, beneficiamento e mercado para chegar ao ponto da comercialização de mudas e óleos” – explica.

O seminário incentiva a cadeia produtiva sustentável e promove geração de renda por meio do manejo de óleos e sementes, através do Projeto Saúde e Alegria com o apoio do Fundo Amazônia na região. Os projetos já são realizados nas comunidades que precisam consolidar cada vez mais estratégias para aumentar a renda familiar de maneira organizada e sustentável.

As reservas são compostas principalmente por agricultores e extrativistas que desenvolvem ações dentro de cadeias produtivas não-madeireiras, que possuem enorme potencial para ampliar processos econômicos de desenvolvimento local.

Conferência Ethos discute soluções para desenvolvimento social e econômico da região amazônica

29 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Segunda edição do evento foi realizada na capital do estado do Pará e reuniu líderes, empreendedores e especialistas que destacaram possíveis caminhos para a construção democrática local

Mais de cinquenta palestrantes foram distribuídos em 20 painéis que dialogaram sobre desafios e as conquistas para o crescimento e desenvolvimento do Pará e da região amazônica. Questões como “Visão empresarial para a Amazônia: o engajamento para o desenvolvimento social e econômico” e “Pesca sustentável na costa e nos rios da amazônia” estiveram entre os temas discutidos entre os participantes que representam diferentes categorias da sociedade. 

Uma das maiores preocupações de estudiosos e pesquisadores esteve em evidência: “Águas da Amazônia: a poluição e o acesso a água potável” e foi amplamente discutido entre os componentes do painel: professor titular da Faculdade de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará – Milton Matta, coordenadora de relacionamento com Associados do Instituto Ethos – Milene Almeida, professor do núcleo de Meio Ambiente da UFPA – Ronaldo Mendes e coordenador geral do Projeto Saúde & Alegria – ​ Caetano Scannavino que comentou sobre a necessidade do diálogo aberto: “É um evento que reúne várias pessoas, representantes de diversos setores, onde abre-se um debate plural, um ambiente para diálogos e conseguimos construir uma agenda positiva para manter a floresta em pé, com desenvolvimento para todos e não apenas para alguns”.

Scannavino destacou a necessidade de discutir assuntos de diferentes temáticas que promovem o bem estar coletivo. “Pensar em pólos industriais em Santarém, verticalizando a produção e fazendo com que o vale do Tapajós seja mais sustentável. Estamos liderando o futuro, criando novos paradigmas e aproveitando oportunidades com envolvimento do setor produtivo, social, acadêmico com pensamento em uma agenda mais focada no modelo de desenvolvimento rumo ao futuro” – finaliza.

Para o diretor presidente do Instituto Ethos – Caio Magri: “O desenvolvimento local é a temática central dos 20 painéis. Esperamos abrir caminho para a discussão sobre temas específicos da Amazônia como o combate à degradação ambiental e ao trabalho escravo e a problemática da morte de ativistas do meio ambiente, entre outros. Dessa forma, palestrantes e espectadores possuem espaço para discutir as alternativas para a construção democrática local”.

Assuntos em destaque

Além dos painéis citados, outros dezessete foram realizados na segunda Conferência Ethos: Comércios justos e os territórios de diversidade socioambiental; Oportunidades para alavancagem da Conservação da Biodiversidade em grandes projetos; Desafios da mineração na Amazônia: riscos ambientais e desenvolvimento sustentável; Violência e violação dos direitos humanos: lideranças e comunidades afugentadas; Rating Integra: governança e transparência no esporte brasileiro; Diálogos intersetoriais em Direitos Humanos: caminhos para o compromisso empresarial no norte e nordeste; Um recife improvável – conhecendo os corais da Amazônia; Alternativas de desenvolvimento econômico e social para municípios da Amazônia: cooperação entre governos, empresas e sociedade civil; As mulheres e a escravidão contemporânea;

A importância do compromisso da alta liderança para a efetividade dos programas de integridade e conformidade: operações na região amazônica; O papel do empreendedorismo de pequeno porte na promoção do desenvolvimento sustentável; Expansão da fronteira do agronegócio na Amazônia: a lógica de mercado global nas bordas da floresta; Diversidade e inclusão nas empresas: agenda estratégica, reflexos nas lideranças e nos resultados; Águas da Amazônia: a poluição e o acesso a água potável; Zona Franca – alternativas e sugestões para o combate eficaz à fraude em incentivo fiscal; Diálogo democrático, estratégias e trajetórias de desenvolvimento sustentável; Mulheres indígenas em defesa de seus povos e da Amazônia; Como conciliar conservação ambiental e produção agropecuária para o desenvolvimento sustentável do Brasil?; Movimento Empresarial pela Integridade e Transparência: ressignificação do papel das empresas na sociedade em prol de uma cultura de integridade.

Conferência

O Instituto Ethos se dedica à agenda dos Direitos Humanos e sua transversalidade em outras agendas, como por exemplo o meio ambiente há 20 anos. A primeira Conferência foi realizada em São Paulo, mas também aconteceu no Rio de Janeiro, onde já realizou três edições e este ano promoveu a segunda realização em Belém.

Última fase do Beiradão de Oportunidades 2018 será nos dias 29 e 30 de novembro

28 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Capacitação de empreendedorismo de jovens ribeirinhos na Amazônia propõe iniciativas criativas e empreendedoras a partir dos potenciais da própria região. Neste ultimo ciclo os participantes irão construir roteiro e planejar a apresentação do modelo de negócios

Os jovens empreendedores estão mais perto de ter o próprio negócio gerando renda e oferecendo algo útil à comunidade. Por meses eles investiram tempo à pesquisa e ao planejamento do empreendimento orientado por técnicos do Curso de Empreendedorismo Beiradão de Oportunidades promovido pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) com apoio da Fundação Cáritas Suíça e colaboração da Fundação Konrad Adenauer. 

Os participantes entre 18 e 21 anos buscaram novos conhecimentos para aplicar em ideias de negócios que possam ser bem sucedidos. São projetos como da Louriely Pereira da comunidade São Pedro da região do Rio Arapiuns que pretende solucionar o problema da falta de hortaliça nas comunidades através do Projeto Hortagro – Horta Agrícola/Mão de obra. “Eu tinha o começo mas não tinha como continuar nem os recursos. Hoje já tenho os recursos de materiais e de como mobilizar no meu psicológico para ver como analisar e ter lucro”.

Ou o do José Solano Guimarães da comunidade Mentae – Rio Arapiuns que inaugurará uma granja: “O nosso problema é a falta de ovos de galhinha caipira dentro da comunidade e nas redondezas. A demanda é grande, porém a gente não tem quantidade na comunidade. A gente precisa vir a Santarém e esperar um dois dias para chegar a mercadoria lá. Quem sofre são os comunitários”.

Nesta ultima fase realizada na sede do Projeto Saúde e Alegria, os jovens finalizarão o projeto com a preparação para o encerramento do curso de empreendedorismo a ser realizado no dia 15 de novembro.

O que é Beiradão?

Um processo de formação de jovens empreendedores que engloba conceitos de negócios sociais e tecnologias, auxiliando os jovens na geração de ideias inovadoras que surgem para solucionar problemas que estão inseridos em algum contexto social. Esta é a 10ª turma do curso, sendo que vários pequenos negócios já foram montados e estão em funcionamento nas comunidades, abrindo novas perspectivas de renda para o jovem do campo que não tem muitas oportunidades de emprego”, explica Paulo Lima, coordenador do programa de empreendedorismo do PSA.

O curso faz parte de uma estratégia maior do Saúde e Alegria, que visa contribuir para uma melhoria das condições de vida e para um desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens de comunidades da Amazônia. “Isso inclui além de estratégias de mobilização social, a criação de oportunidades de trabalho e renda para que os jovens das comunidades possam ter a oportunidade de fazer escolhas, sair ou ficar da comunidade, mas com clareza para construir seus projetos de vida plenamente”, conclui Fábio Pena, da coordenação de educação do PSA.

O projeto organizado pelo Projeto Saúde & Alegria (PSA) conta atualmente com o apoio da Fundação Cáritas Suíça e colaboração da Fundação Konrad Adenauer.

Serviço

Quando? Quinta e sexta 29 e 30 de novembro, das 8h às 18h

Onde? Projeto Saúde e Alegria, Av. Mendonça Furtado, n° 3979, Bairro: Liberdade

| Ascom Saúde e Alegria

Ciclo de formação aborda importância da comunicação para o ativismo juvenil

26 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Jornada reuniu jovens líderes comunitários durante três dias na Escola da Floresta – em Alter do Chão. O terceiro Ciclo da Formação destacou cuidado com as ações e importância de uma comunicação adequada nas redes sociais à favor da luta pelos direitos das populações tradicionais

Em tempos tecnológicos, com imediatismo de informações e intensa participação do jovem nas redes sociais, como usar a tecnologia a favor do ativismo juvenil? E como torná-los aliados no processo de dar visibilidade às minorias e lutar por direitos pré-estabelecidos e não cumpridos? Com objetivo de buscar respostas para esses questionamentos, os jovens de diversas comunidades que participam da jornada de formação que incentiva a capacitação dos jovens articuladores e defensores dos próprios direitos e territórios no período de 23 a 25 de novembro em Santarém, Oeste do Pará. 

“Pensar em ações que a gente pode fazer na nossa comunidade também é uma forma de ativismo. A questão do lixo, meio ambiente, cultura […] Estamos repensando muitas coisas e como usar o celular, a comunicação na própria comunidade que são coisas que eles vão fazer daqui pra frente” – explica o integrante da coordenação do Ciclo de Formação, Walter Oliveira.

Os participantes da jornada são indígenas e moradores de comunidades tradicionais que enfrentam desafios para manter a cultura local com acesso aos direitos garantidos por lei. Raimundo Rodrigues morador de Urucureá – região do Rio Arapiuns contou que as lições aprendidas durante os ciclos anteriores são replicadas na comunidade para promover o bem coletivo: “Eu cheguei aqui sem saber o que ia acontecer. Na minha comunidade eu já repassei o que eu aprendi. O que eu tô aprendendo nesse ciclo agora é que a gente deve reagir com ativismo pacifico…” – destaca sobre a importância de cobrar a pesquisa prévia e informada aos comunitários que serão impactados por grandes obras com instalação planejada nessas áreas de preservação ambiental.

Da mesma maneira que ele busca representar a comunidade e aprimorar formas de promover o ativismo pacifico, a jovem Vanessa Silva de Tucumã reforça a necessidade de lutar pelos próprios direitos: “A gente tem aprendido como fazer ativismo e ferramentas para utilizar até chegar em uma ação real. Discutimos vários temas importantes a serem trabalhados na comunidade, como gênero, problema de mineração, agronegócio, e essas discussões acrescentaram muito no meu conhecimento”.

Neste terceiro ciclo, os jovens aprenderam técnicas básicas de fotografia, filmagem, elaboração de texto como parte integrante do processo comunicacional imprescindível para o avanço do ativismo na região. No ciclo anterior feito no período de 19 a 21 de outubro os participantes mapearam os tipos de comunicação existentes dentro da comunidade e o que precisavam fazer para melhorá-la.

O facilitador de comunicação – Allan Gomes explicou sobre a fundamentação da comunicação no processo de ativismo: “a gente tem uma constituição que está completando 30 anos esse ano, e prevê uma série de direitos e deveres do próprio estado que não são cumpridos e a população não sabe. A maior parte do nosso trabalho é uma conscientização a cerca dos processos de comunicação. Hoje em dia a gente vive em uma sociedade imersa em redes sociais, celulares. Então são processos técnicos que eles já dominam. O que a gente precisa é que isso se reflita do uso dessas ferramentas para essa conscientização dos seus direitos”.

A formação é uma parceria do Projeto Saúde e Alegria com a organização de liderança jovem Engajamundo, sem fins lucrativos que promove formações, mobilização e ações de ativismo, com foco ao empoderamento da juventude para reivindicar melhorias em diversas esferas de poder. Este foi o terceiro ciclo da Jornada de formação para o ativismo juvenil de um total de cinco que estão ocorrendo nas comunidades.

 

Seleção de entidades para Programa de acesso à água

26 de novembro de 2018 por Paulo Lima

 

Foto Silvanei Rodrigues

                         Foto Silvanei Rodrigues

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS DE PROMOÇÃO SOCIAL E AMBIENTAL

AVISO DE CHAMADA PÚBLICA N° 02/2018

O Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental torna público EDITAL DE CHAMADA PÚBLICA n° 02/2018 para a seleção e contratação de entidades privadas sem fins lucrativos, credenciadas pelo MDS, para a implantação de tecnologias sociais de acesso à água, no âmbito do Programa Cisternas, observadas as disposições legais do edital.

O Edital na íntegra encontra-se disponível também no SICONV.

Informações adicionais: davide@saudeealegria.org.br – Tel.: (93) 3067-8000

EDITAL DE CHAMADA PÚBLICA n° 02/2018: http://bit.ly/2SeT0P9

Anexo A: http://bit.ly/2QhkWVs

Anexo B: http://bit.ly/2QihwBW

Anexo C: http://bit.ly/2zqGs0r

Anexo D: http://bit.ly/2KwlZeK

Anexo E: http://bit.ly/2ApUoav

Anexo F: http://bit.ly/2Se983A

Rodrigo José de Sampaio Leite Filho

Presidente do Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental 

Jovens valorizam cultura tradicional de tecelagem de paneiros e tipitis

22 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Você conhece o paneiro? E o tipiti? Em oficina realizada na comunidade Urucureá, Rio Arapiuns nos dias 19 a 21 deste mês, jovens valorizaram estes dois artesanatos típicos das comunidades tradicionais da Amazônia, produzidos como utensílios usados no processo de fabricação da farinha da mandioca e também decorativos. Fazem parte do rico repertório cultural das comunidades da região, mas com o passar do tempo, vão ficando esquecidos e em algumas comunidades pouca gente sabe fazer.

Preocupados com isso, jovens da comunidade de Urucureá, planejaram um projeto que visa valorizar essa cultura, em parceria com a escola da comunidade. Assim foi criado o projeto juvenil Areia Branca de valorização cultural, que recebe apoio da Rede Juventude Floresta Ativa, por meio do edital de apoio à iniciativas juvenis Magnolio de Oliveira, um programa realizado pelo Projeto Saúde e Alegria com apoio da Cáritas.

A ação juvenil tem várias atividades, uma das principais foi a oficina de tecelagem de paneiros e tipitisna qual convidaram os mestres da comunidade que ainda dominam as técnicas do artesanato, para ensinar para as crianças e adolescentes na escola da comunidade.  Fábio Pena, coordenador do programa, lembra que a atividade combinou com o conceito propagado pelo educador Magnólio que dá nome ao edital de apoio aos jovens, “é o saber comunitário dando sabor à escola”.

Foram três dias de diálogos e aprendizagens práticas. Os mais velhos explicaram para os mais novos como é feito o artesanato, de onde se tira os materiais utilizados, e a importância deles para a comunidade. Em urucureá, boa parte dos moradores trabalha com a produção artesanal de cestos feitos da palha de tucumã, uma palmeira típica do seu território. A atividade é uma importante fonte de renda para a comunidade.

O tipiti é uma espécie de prensa ou espremedor de palha trançada usado para escorrer e secar raízes, normalmente mandioca. O objeto é utilizado principalmente por índios brasileiros e ribeirinhos da região amazônica. Já os Paneiros são cestos produzidos a partir dos trançados de palha, usados para guardar e transportar pão, farinha e tantos outros produtos regionais.

São feitos de produtos naturais, encontrados na própria natureza. Uma das discussões levantadas na oficina, foi a importância de proteger o meio ambiente e cuidar melhor do lixo na comunidade, onde foram elaboradas propostas para a destinação adequada do lixo.

O artesão Valdemar Ferreira falou sobre a produção feita durante a oficina: “o tipiti é um artesanato que foi criado pelos índios e que serviu para que os caboclos trabalhem com a farinha. É um artesanato muito importante e é feito da palha da bacabeira” – explica.

O jovem Raimundo Rodrigues Coordenador do projeto reforçou o intuito do coletivo: “objetivo é fazer com que as pessoas saibam tecer o paneiro e tipiti para que os jovens possam conhecer e ganhar dinheiro”..

PROTAGONISMO JUVENIL

Como parte da oficina, os jovens e as lideranças comunitárias também tiveram a oportunidade de debater no primeiro dia, temáticas voltadas à compreensão dos territórios e os conflitos socioambientais. Conduzida pelo jovem Walter Oliveira, membro do coletivo jovem tapajõnico, a proposta foi envolver os comunitários em debates para que tenham melhor entendimento que sua comunidade faz parte de um território maior, que sofre pressões e ameaças aos seus recursos naturais, e que todos devem se envolver na luta pela proteção ambiental e contra a violão de direitos das comunidades.

O educonunicador do projeto Saúde e Alegria e padrinho do Coletivo Areia Branca – Walter Oliveira destacou a necessidade da realização de projetos dessa natureza: “é importante estamos apoiando esses coletivos jovens que buscam desenvolver atividades propostas pelos mesmo fortalecendo com isso o protagonismo juvenil e quebrando o conceito de que o jovem não quer saber de nada, e a importância da confiança que esses jovens passam a tomar quando eles mesmos planejam suas atividades” – finaliza.

SOBRE O COLETIVO

O projeto coletivo Areia Branca foi provado durante o Festival Teia Cabocla 2018, como parte do Projeto Rede Juventude Floresta Ativa, realizado no Centro Experimental Floresta Ativa. Na Teia de Ideias concorreu com 30 projetos de diferentes comunidades. Desde 2003 a Teia possibilita espaço para que jovens apresentem suas propostas de projetos como resposta ao Edital Magnólio de Oliveira. As melhores ideias recebem apoio do PSA, para serem desenvolvidas. O nome do edital é uma homenagem ao querido Palhaço Magnólio que tanto animou a juventude das comunidades. Na comunidade Urucureá a iniciativa tem apoio da Escola e Tucumart, cooperativa de turismo e artesanato.

Água potável chega a aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas: conheça o Cisterna

21 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

Programa desenvolvido através da chamada pública do governo federal por meio do Ministério do Desenvolvimento Social do Programa Nacional ‘Cisterna’ de apoio a captação de água da chuva e outras tecnologias sociais de aceso a água é coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria em Santarém e executado pela Asproc, Sapopema e Somec

Em pouco tempo mais de 600 famílias receberão as tecnologias nas regiões da Flona, Várzea e Lago Grande. Desde maio de 2018, quando foi feita a assinatura do programa os moradores das áreas beneficiadas pelo projeto vivem a expectativa de dias melhores com a instalação de sistemas de captação da água e construção de sistema de saneamento.

Os serviços são executados por três instituições contratadas para atuar em diferentes regiões: Nas aldeias Taquara e Bragança e Comunidades Pini, Marae e Acaratinga – localizadas na Flona a responsabilidade é da Asproc que já começou a entregar as primeiras tecnologias em uma cerimônia simbólica neste sábado (17).

Na várzea os serviços são feitos pela Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente – Sapopema – que desenvolve nas comunidades Urucurituba, Aramanai, Igarapé do costa e Correio do Tapará as construções de um Sistema Pluvial Multiuso Comunitário para implantação de redes de abastecimento de água em comunidades rurais e o Sistema Pluvial Autônomo que vai atender famílias isoladas.

Na região do Lago Grande as construções de sistemas de abastecimento de água com calha e caixa d’agua de mil litros em cada residência estão na fase inicial e é de responsabilidade da Somec.

Segundo o coordenador do Programa de Saneamento Comunitário do Projeto Saúde e Alegria Carlos Dombroski as unidades já começaram a ser entregues e em pouco tempo todos os beneficiados terão em casa acesso à água limpa de maneira prática: “É de extrema importância porque são comunidades isoladas, principalmente na várzea. A gente sabe do liquido que essas famílias consomem. Mediante essa implantação vamos estar levando uma água pura para essas famílias” – explica.

Em algumas comunidades, a falta de saneamento é tão grave que já resultou na morte de moradores. “ – Por exemplo, a Aldeia de Taquara, perdeu nesses últimos três anos doze pessoas. E tem a suspeita de que algumas dessas [mortes]  foi em função do consumo da água, porque eles consumiam direto do rio, igarapé e poços rasos. E o sistema de água agora é moderno, com água em todas as casas, tecnologia de captação e energia solar”.

As comunidades e aldeias contempladas são isoladas dos centros urbanos. Na várzea a constante dinâmica de cheia e baixa da água influencia na qualidade do liquido. Em Igarapé do Costa, comunidade da várzea a dificuldade começa na coleta da água no verão, quando o rio fica distante das residências. Para o pescador Waldir Rego os integrantes das famílias contempladas estão contando os dias para mudar a qualidade de vida. Com o sistema de captação da água da chuva, e instalação de banheiros, terão mais dignidade e um pouco menos de esforço físico no transporte de água: “a água a gente pega do rio, leva pra casa e coloca numa caixa que é puxada a mão e a gente ‘bota’ pra filtrar. Cada casa tem um biofiltro. Se viesse direto do rio não teria condição, é barrenta demais

” – destaca.

Esse processo de filtragem para diminuir a concentração de impurezas ocorre após um longo processo que começa com a coleta. O ribeirinho revela que leva 45 minutos para fazer o percurso de aproximadamente 250 metros. Com o sistema de encanamento da água coletada da chuva, os dias dedicados ao transporte do carote no ombro terão fim. “A gente vai ficar mais tranqüilo. Eu  com uma expectativa muito grande e vai ser muito bom para as famílias”.

Sobre o Programa Cisterna

Em maio de 2018 foi feita a assinatura do programa que faz parte da chamada publica do governo federal por meio do Ministério do Desenvolvimento Social do Programa Nacional ‘Cisterna’ de apoio a capacitação de água da chuva e outras tecnologias sociais de aceso à água.

O objetivo é realizar ações de captação de água e promover saneamento, uma vez que os moradores dessas áreas contempladas, não tem nenhum sistema de abastecimento. Em Santarém o programa é coordenado pelo Projeto Saúde e Alegria e executado pelas Organizações Não Governamentais Sapopema, Asproc e Somec.

“Enfraquecemos quando não cuidamos da nossa comunidade” – defende moradora da Floresta em defesa do Ecoturismo

21 de novembro de 2018 por Samela Bonfim

“Enfraquecemos quando não cuidamos da nossa comunidade” – defende moradora da Floresta em defesa do Ecoturismo

Em ‘Seminário Floresta Ativa Tapajós’ realizado no dia 19 na comunidade Carão participantes definiram as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças dentro das comunidades

O que fazer para melhorar a vida de quem mora na Amazônia e extrai da natureza bens para a subsistência? C       om objetivo de responder ao questionamento de forma participativa, o Projeto Saúde e Alegria realizou um encontro no CEFA para promover balanço das atividades e discutir perspectiva para o próximo ano.

A Produção de mel, mudas florestais, óleos, sementes e ecoturismo são apostas da Flona e Resex para 2019. Os aproximadamente 200 representantes dos pólos que integraram as rodadas de discussões foram divididos em seis grupos para tratar das principais demandas ligadas a Água, Energia e Tecnologia, Cadeia Produtiva, Juventude e Empreendedorismo, Mulheres, Turismo e Artesanato, Saúde, Organização e Gestão. O principal intuito é encontrar maneiras de incentivar a organização comunitária com foco sustentável e produtivo de forma a suprir a renda familiar.

A maior parte das comunidades vive sem o mínimo de conforto com água limpa e energia. Maria Margareth Seade moradora da Comunidade São Pedro – Região do Arapiuns já contemplada com sistema de água por meio do projeto Saúde e Alegria contou como outras comunidades lidam com a falta do liquido: “A nossa vizinha que é a comunidade Nova Vista tem um plantio imenso de pimenta do reino, mas a dificuldade é a água. Algumas comunidades tem, mas outras ainda não. Daí a importância da parceria com os projetos no caso da Saúde e Alegria que tem se esforçado para suprir isso aí”.

Cadeia Produtiva

As famílias que sobrevivem da Meliponicultura tem encontrado inúmeros desafios p

ara promover o negócio devido ao alto índice de queimadas que impedem a atividade diz o produtor José de Aquino morador da Vila Franca: “Tendo a queimada, não tem reflorestamento e as abelhas não tem produção. Este ano caiu muito a produção do mel porque teve muita queimada e não teve florada. Nós investimos na produção de mudas, plantas medicinais que ajudaram na produção de mel” – finaliza.

Juventude e Empreendedorismo

O futuro das comunidades se concentra nas organizações comunitárias promovidas pelos jovens que planejam atividades que melhorem a vida nessas regiões. Solano Guimarães morador da comunidade Mentae no Rio Arapiuns enfatizou a falta de instrumentos básicos que impedem o empreendedorismo: “É um desafio grande com comunicação, investimento, infra-estrutura e acessibilidade tudo isso dificulta muito. A gente vai elaborar propostas estratégias concretas para trabalhar dentro das comunidades”.

Mulheres, Turismo e Artesanato

Pensando na geração de renda por meio da produção da mulher no artesanato e incentivo ao turismo de base comunitário os integrantes de um grupo de trabalho discutiram sobre o potencial da região. Maria Odila Godinho moradora da Comunidade Anã Turiarte e coordenadora da Cooperativa de Turismo e Artesanato na Floresta destacou a possibilidade de aumentar o faturamento das populações tradicionais: “nossa cultura, nossa própria natureza, as praias. Isso é uma grande fortaleza que nós temos. Mas enfraquecemos quando a gente não cuida da nossa comunidade com a limpeza, com o lixo. Isso é uma fraqueza. Precisamos conhecer o processo amplo: trabalho, serviços humanos, trabalhar com a natureza pra expor essa beleza para o turismo”.

Saúde

Outra necessidade apontada pelos comunitários se refere a falta de políticas publicas na área da saúde. O Agente Comunitário de Saúde Djalma Moreira morador do Suruacá no Rio Tapajós contou como padece com a falta de estrutura nos atendimentos: “Eu como Agente de Saúde sofro muito porque sou chamado de mentiroso. É uma tristeza grande. Antes do Saúde e Alegria entrar em 1987 morria muita criança com diarréia, vomito coqueluche, sarampo, pneumonia. Hoje é difícil ver as crianças morrerem”.

Organização e Gestão

Promover o fortalecimento das culturas, da renda e possibilitar o acesso ao básico é um desafio diz o Presidente da Associação das Organizações Tapajoaras Dinael Cardoso: “Fazer gestão de um território como a Tapajós Arapiuns que são 690 mil hectares, onde habitam 75 comunidades, 13 mil moradores é diferente de fazer uma gestão de uma associação local. A gente tem que pensar no conjunto”.

Expansão e novos projetos

Dando continuidade aos projetos desenvolvidos e implementar novos para melhorar a vida das populações dessas regiões, foram feitas avaliações e anúncios no encontro: “Novos apoios para sistemas de água, tratamento de água, energia solar nas casas, como melhorar o pé de meia – a economia mantendo a floresta em pé, valorizando a cultura e uma das discussões aqui é a montagem de uma rede de coletores de sementes, reposição e restauração florestal, a questão do mel.” – divulgou.

Dentre os projetos estão: incentivo as Cadeias produtivas e expansão com foco na Flona, Saneamento e Água, Energias Renováveis, projetos com Crianças, Adolescentes e Jovens, foco à promoção da Saúde, Formação, Capacitação e Tecnologias Demonstrativas, Produção e processamento, Estocagem, escoamento e comercialização, criação de casa de artesanato, construção de novas Pousadas, Eletrificação Rural 2019/20, Ampliação Carão.