Um barco cinema na Amazônia

1 de dezembro de 2011 por Elis Lucien

Cinema e pipoca é diversão na certa.

A sétima arte chega nas comunidades ribeirinhas dos rios Tapajós e Arapiuns para levar a magia do cinema na porta de casa, no muro da escola, na praça em frente a comunidade… e por ai vai.

O projeto Fitzcarraldo, um barco cinema na Amazônia, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria e com apoio do FIAT (Societá per Azioni), FIAT Industrial e Momento Itália/Brasil e Fare Arte, estão dismitificando a ideia do cinema ser apenas nas áreas urbanas.

Agora essa arte chega dentro das comunidades ribeirinhas com objetivo de levar cultura, diversão e entretenimento.

O Projeto Fitzcarraldo navega nas águas do rio Tapajós e Arapiuns, levando cinema e projetando os melhores filmes nas noites ribeirinhas.

No último dia 22 de novembro, a comunidade de Anã no rio Arapiuns recebeu a equipe do projeto, juntamente com o jornalista do Fantástico Ernesto Paglia e sua equipe, para mostrar como é levar cinema para uma comunidade ribeirinha da Amazônia.

 

 

 

Programa Bem Estar da Globo destaca o Projeto Saúde & Alegria

21 de novembro de 2011 por Fábio Pena

O Programa Bem Estar da Globo exibiu hoje três reportagens produzidas pela repórter Mariana Araújo, nas comunidades ribeirinhas do Município de Santarém. No contexto do programa direcionado ao tema da água, as matérias mostraram as mudanças promovidas pelas ações de saneamento básico e campanhas educativas do Projeto Saúde & Alegria.

As matérias podem ser assistidas nos links:

Médico educador faz a diferença em comunidades do Pará

Comunidade no Rio Tapajós dá lições ambientais e de saúde

Hipoclorito de sódio purifica a água e salva vidas no Pará

 

Três jovens do Tapajós vão participar de encontro com líderes mundiais

25 de outubro de 2011 por Fábio Pena

Os jovens Maikson Serrão, da comunidade de Boim, Rio Tapajós, Mônica Almeida, da cidade de Belterra, e Juscelino Filho, de Santarém, vão participar amanhã, dia 26/10/2011 na cidade do Rio de Janeiro, do encontro “Construindo um futuro melhor para todos: engajamento com a juventude brasileira”, promovido pelo movimento Elders. Trata-se de um grupo independente de grandes líderes mundiais formado por Martti Ahtisaari, Kofi Annan, Ela Bhatt, Lakhdar Brahimi, Gro Brundtland, Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter, Graça Machel, Mary Robinson e Desmond Tutu, reunidos por iniciativa de Nelson Mandela, com o objetivo de direcionar sua experiência e influência a serviço da construção da paz, enfrentamento das principais causas de sofrimento humano e promoção dos interesses comuns da humanidade.

O encontro no Brasil tem por objetivo propiciar aos líderes The Elders um diálogo aberto com jovens brasileiros sobre problemas do país que o preocupam, bem como questões globais. O objetivo é inspirar um debate e desenvolver ideias para ações concretas que poderão ser compartilhadas com líderes e políticos do Brasil.

Foram selecionados aproximadamente 50 rapazes e moças com idades de 18 a 26 anos representando um amplo corte transversal da sociedade brasileira. Os participantes foram convidados como indivíduos, e não como representantes das suas organizações. Eles são jovens com participação ativa em suas comunidades, oradores confiantes e que têm algo importante a dizer sobre os principais problemas do país. Entre os principais temas a serem discutidos estão: i) Meio ambiente e desenvolvimento sustentável; ii) Empoderamento das mulheres; promoção da igualdade de gêneros; iii) Criação de um Brasil mais justo: raças e multiculturalismo; iv) Combate à violência: a função do governo e da sociedade.

O Projeto Saúde & Alegria indicou três jovens que foram selecionados para o encontro. Eles estão envolvidos com as iniciativas do projeto, como a Teia Cabocla de Lideranças Juvenis,  que proporcionam o protagonismo da juventude da Amazônia no cenário nacional e internacional, desenvolvendo suas capacidades de expressar e negociar suas demandas nos espaços públicos. Conheça o perfil desses jovens abaixo:
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Inaugurada nova Unidade Fluvial de Saúde da Família pelo Ministro Alexandre Padilha

20 de outubro de 2011 por Fábio Pena

No último dia 14/10, aconteceu no terminal turístico na Orla de Santarém, a inauguração da 2a Unidade Fluvial de Saúde da Família que funcionará à bordo do catamarã Abaré II, construído pelo Projeto Saúde & Alegria (PSA) com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. O serviço vai atender 42 comunidades ribeirinhas do rio Arapiuns com a atenção básica de saúde.  A Unidade foi entregue à comunidade santarena em cerimônia que contou com a presença de representantes do PSA, das comunidades, da Prefeita de Santarém, Maria do Carmo, do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entre outras autoridades.

O lançamento desta 2a Unidade Fluvial de Saúde da Família na região é resultado da iniciativa exitosa desenvolvida pelo Projeto Saúde & Alegria e as Prefeituras de Santarém e Belterra no atendimento à saúde das populações ribeirinhas do rio Tapajós por meio do Barco ABARÉ, com apoio da Fundação Terre des Hommes. Após alguns anos de experiência, se tornou a primeira Unidade beneficiada pela Portaria 2.191 de três de agosto de 2010, inspirada também no próprio Abaré,  que instituiu critérios diferenciados de implantação, financiamento e manutenção da Estratégia Saúde da Família Fluvial, visando beneficiar as populações ribeirinhas da Amazônia Legal e Mato Grosso do Sul.

Na cerimônia, a Prefeita Maria do Carmo, afirmou que foi graças à parceria com o PSA, que este modelo deu certo. “O Saúde e Alegria não é só um parceiro, foi o verdadeiro idealizador e entusiasta que construiu juntamente conosco esse projeto. Decidiram batalhar por um recurso para tornar realidade o Abaré I, que veio e mostrou ser possível levar saúde de qualidade aos ribeirinhos. É um exemplo de política comunitária. Não fomos nós que ousamos com esta proposta,  foi uma ONG que não tem ninguém do governo, mas que conseguiu com que o Governo Federal ouvisse, e transformasse essa experiência em politica pública. É uma política pública criada aqui no Tapajós, que agora o Brasil está vendo se transformar em política nacional”.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou a trajetória da experiência ainda como médico na época em que trabalhava em Santarém. “Muita gente achava que o os irmãos Caetano e Eugênio Scannavino eram loucos quando saiam com um projeto debaixo do braço, com a idéia de que era possível e necessário um barco que levasse atendimento em saúde para as comunidades ribeirinhas, além da necessidade de ter implantação de pedras sanitárias, formação de agentes comunitários e lideranças, conselhos locais de saúde”, lembrou o Ministro.

A idéia deu certo e avançou com o funcionamento do Abaré desde 2006, atendendo 70 comunidades do rio Tapajós, beneficiando mais de 15 mil pessoas que hoje têm acesso regular aos serviços básicos de saúde. Porém, até 2010, o serviço era sustentado basicamente com recursos captados pelo Projeto Saúde & Alegria junto à cooperação internacional e não tinha garantias efetivas de continuidade.

O Ministro Alexandre Padilha, afirmou que “lá atrás, no inicio, comentava que o projeto só seria sustentável se pudéssemos convencer os governantes locais, os gestores, comprometendo o conjunto do SUS para que se tornasse uma política pública de verdade”.

É o mesmo pensamento que tem o coordenador do Projeto Saúde & Alegria, Caetano Scannavino. “O papel de uma organização não-governamental como nós não é substituir a função do governo, mas sim somar esforços para construir soluções que melhorarem a vida das pessoas mais necessitadas e sejam ao mesmo tempo referências replicáveis como políticas públicas, o que dá uma nova escala ao trabalho. Com a Portaria, o que se semeou no Tapajós poderá gerar benefícios para toda  Amazônia e Pantanal. E o primeiro exemplo disso já é Abaré II na região do Arapiuns”. A outra diferença é que a politica pública é perene, e os projetos de ONGs tem inicio, meio e fim, dependem de recursos, nem sempre assegurados”.

Por meio da Portaria da Saúde Fluvial, desde janeiro de 2011, a Prefeitura de Santarém passou a receber diretamente os recursos do Governo Federal para sustentar a logística e pagar as equipes que atuam à bordo do Abaré I, assumindo a responsabilidade plena do serviço de atendimento da população. O Projeto Saúde e Alegria continuou como parceiro no desenvolvimento das ações educativas e no controle social. É o que vai acontecer com a nova unidade, o catamarã Abaré II.

“O que estamos fazendo hoje, não é apenas inaugurando mais um barco, mas escolhemos Santarém, para reforçar o Programa Nacional de Unidades Básicas de Saúde Fluviais lançado ano passado. Entendemos que todos brasileiros que moram nas comunidades ribeirinhas da Amazônia e Pantanal, merecem ter o mesmo tratamento de qualquer outro brasileiro. Experiências como a do Abaré nos influenciam numa decisão muito clara do Governo da Presidenta Dilma, de escolher a atenção básica, a partir da comunidade, perto de onde as pessoas vivem, numa grande prioridade da saúde em nosso país. Por isso, lançamos o programa com 40 unidades, e já temos mais 60 propostas recebidas, e vamos chegar a 100 unidades fluviais até 2014”, explicou Alexandre Padilha.

O lançamento do programa é uma resposta importante à uma das maiores maiores reivindicações das populações que vivem em regiões de floresta e ribeirinhas, onde doenças simples, de origem primária, tornam-se graves devido à falta de intervenção efetiva e adequada. Na região Norte, apesar dos avanços, a implementação do Sistema Único de Saúde – SUS ainda é um grande desafio, sobretudo nas zonas rurais. Com municípios do tamanho de países, longas distancias, populações dispersas de difícil acesso, baixo investimento em saneamento, dificuldades de transporte e de comunicação, a rede pública tem alcance insuficiente, agravado também pelos altos custos logísticos para interiorização das equipes de saúde sem que houvesse mecanismos de financiamento público compensatórios e apropriados ao contexto amazônico. “Trata-se de um importante aprimoramento do SUS que ainda tem muitos desafios, principalmente pelas desigualdades sociais e geográficas do país. Mas o desenvolvimento de uma experiência como essa comprova que é possível aprimorar o sistema para que ele chegue efetivamente na ponta, para quem mais precisa”, comenta o médico Fábio Tozzi, um dos coordenadores do projeto.

A 2a Unidade Fluvial de Saúde de Santarém possui estrutura física com pronto atendimento, farmácia, consultório médico, sala de Coleta de PCCU/sala de enfermagem, gabinete odontológico, laboratório, sala de vacina, área de espera, banheiros para usuários e servidores, camarotes masculino e feminino, refeitório, espaço para redes, copa e depósito de materiais.

Após a inauguração, uma equipe composta por 15 servidores da SEMSA (médico, enfermeiros, odontólogo, TSB, técnicos de Enfermagem, técnico de laboratório, Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Endemias e tripulação), já partiu para para a região da RESEX/Arapiuns, para realizar assistência em 42 comunidades até o dia 21 de outubro, ofertados os serviços de consulta médica, consulta de enfermagem, atendimentos odontológicos, imunização, coleta de PCCU, atendimento dos grupos de HIPERDIA, pré-natal, exames laboratoriais, educação em saúde e todos os programas preconizados pelo ministério da Saúde.

Lideranças da BR-163 aprovam reivindicações para levar a Brasília

19 de setembro de 2011 por Fábio Pena

Foto: Altino Machado

Representantes de 54 entidades dos movimentos sociais da área de abrangência da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), reunidas nos dias 15 e 16/11/2011 em Santarém, aprovaram uma série de reivindicações contra a atual postura do Governo Federal em relação à implementação do Plano BR-163 Sustentável.

A Carta de Santarém critica o rompimento por parte do Governo Federal do diálogo com os movimentos sociais da região. As lideranças avaliam também que o Plano BR-163 Sustentável foi deixado de lado pelo Governo, que, por sua vez, optou por promover megaobras, que atendem apenas o interesse das grandes empresas, como a hidrelétrica de Belo Monte.

As lideranças, reunidas hoje à tarde em Santarém, no Oeste do Pará, debateram e discutiram cinco tópicos que foram incluídos no texto final da carta: ordenamento territorial, infraestrutura, atividades produtivas, inclusão social e governança.

“O encontro deixa claro que os movimentos sociais têm domínio sobre o conteúdo do Plano BR-163 Sustentável”, afirma Rubens Gomes, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e organizador do evento junto com o Consórcio pelo Desenvolvimento Socioambiental da BR-163 (CONDESSA). “Afinal de contas foram essas mesmas lideranças que construíram seu conteúdo de forma participativa”, garante Gomes. “Depois de cinco anos, ao avaliar, eles confirmaram que suas metas pouco saíram do papel” – finaliza.

As lideranças organizaram uma comissão que ficou encarregada de solicitar uma audiência com a presidenta Dilma para entregar-lhe a Carta de Santarém 2011 e exigir medidas imediatas.

Leia o conteúdo completo das reivindicações

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Setenta e sete razões para a criação do Estado do Tapajós

19 de setembro de 2011 por Fábio Pena

O Seminário “Tapajós Sustentável, o Estado que queremos”, promovido pela Articulação Popular Pró Estado do Tapajós – APPT nos dias 13 e 14/09/2011, resultou na mobilização de movimentos sociais de 17 municípios representados, para o engajamento de lideranças na campanha pela criação do Estado do Tapajós. A APPT é formada por diversas organizações e movimentos sociais da região Oeste do Pará, como Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Associações de Mulheres, Federação de Associações de Bairros, Comunidades Indígenas e Quilombolas e Organizações Não-Governamentais. Além da mobilização, as 250 lideranças que participaram do evento, elaboraram um documento onde apresentam 77 razões para dizer sim à criação do Estado do Tapajós.

SETENTA E SETE RAZÕES PARA CRIAÇÃO DO ESTADO DO TAPAJÓS
1. Porque o plebiscito de 11 de dezembro é um momento de decisão sobre o nosso futuro e não é uma eleição qualquer onde se vota por simpatia ou antipatia.

2. Por ser a luta pela criação do Estado do Tapajós, uma luta antiga que faz parte da história e do anseio do povo da região.

3. Porque o povo da região Oeste é um povo com uma diversidade cultural própria e uma identidade histórica comum entre os 27 municípios que formam a região, com direito secular adquirido para ser estado.

4. Pela necessidade de colocar na ordem do dia o reconhecimento dos anseios dos povos indígenas, dos quilombolas, dos extrativistas, das mulheres, dos pescadores, dos assentados, dos agricultores familiares.

5. Porque a luta pela criação do Estado do Tapajós não é uma luta isolada, ela faz parte de uma luta por mudança estrutural da sociedade, ou seja, no modo e quem se beneficia com os resultados das riquezas que a região tem.

6. Porque  a região Oeste do Pará é uma região empobrecida pela trajetória de abandono a que foi submetida. Cuja pobreza é resultado da ausência do Estado na região. Leia o resto desse post »

IBAMA faz pouso forçado em Nuquini.

15 de setembro de 2011 por Rowdinely Oliveira

Na tarde do dia 14 de setembro do ano de 2011, um helicóptero do Ibama fez um pouso extremamente forçado na Comunidade, para susto dos moradores da pequena Vila.

Mas não era nada grave, ou seja, um dos tripulantes, nos informou que estavam procurando onde se localizava a comunidade de Samaúma, aliviando assim, o medo, e a insegurança dos moradores da comunidade, ao observarem um acontecimento assim aqui em  Nuquini.

 

” Fiquei assustado quando vi, o helicoptero, pousando aqui no campo, pensei bobagens, me assustei, mas não era nada comprometedor”nos falou a dona de casa,  sra Jailma Valente.

O senhor Júlio Rodrigues também assustado nos contou como o mesmo reagiu quando assistiu de perto o pouso do helicóptero: ” Assim como as outras pessoas eu também, fiquei assustado, mas quando soube que era do Ibama, me tranquilizei, ou seria com a comunidade ou alguma informação que eles queriam, e na verdade foi”.

Diante disso, nos demonstrou o quão, os moradores, se sentem inseguros; a insegurança assusta os moradores de qualquer área ou região, e juntamente com o medo que  desfigura e entorpece a realidade,  portanto. A ação consciente, prolongando-se pelo fio das horas, anula o medo, por não facultar a medida do comportamento nas memórias pessoais ou sociais.

 

Seminário Tapajós Sustentável marca diferencial na campanha pelo Estado do Tapajós

13 de setembro de 2011 por Fábio Pena

Ampliar o debate e engajar lideranças na campanha pela criação do Estado do Tapajós, a partir da participação popular, é um dos principais objetivos do Seminário Tapajós Sustentável que começou hoje pela manhã, 13/09 e segue até amanhã, no Iate Clube de Santarém.

O evento é promovido pela Articulação Popular Pró Estado do Tapajós – APPT que reúne diversas organizações e movimentos sociais da região Oeste do Pará,  como Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Associações de Mulheres, Federação de Associações de Bairros, Comunidades Indígenas e Quilombolas e Organizações Não-Governamentais.

Cerca de 250 lideranças populares vindas de municípios como Prainha, Uruará, Óbidos, Curuá, Almerim, Belterra, Juruti, Oriximiná, Monte Alegre, Terra Santa, Novo progresso, Trairão, Alenquer, Aveiro, Faro, além de Santarém, estão participando.

Após uma animada dinâmica de boas vindas feita pelo educador Magnólio de Oliveira do Projeto Saúde e Alegria, o evento começou com uma apresentação dos objetivos da APPT. João Ribeiro, do CEFTBAM, disse que o propósito da articulação e do seminário, é fazer a discussão sobre a criação do Estado do Tapajós com os principais interessados, a população que vive a conhece a realidade de seus municípios. Sara Pereira, da FANCOS, completou: “queremos mostrar que nosso SIM ao Estado do Tapajós vem junto com uma responsabilidade de construirmos um estado sustentável, e não que repita o velho modelo, mas que busque, inclusive, romper com a lógica de boa parte da classe política atual que também é responsável pelas péssimas condições sociais que temos hoje”.

A participação do jornalista e Professor da UFPA, Manuel Dutra, veio em seguida para contribuir ao debate, acrescentando elementos sócio-históricos que embasam sua defesa pelo SIM ao novo Estado. Entre outras questões, Dutra explicou o sentido cultural do ser do Tapajós. “É mentira quem tenta dizer que essa luta é de hoje. Nossos avós, pais, filhos, antigas e atuais gerações já nasceram ouvindo falar do sonho do Tapajós. É um desejo que vem desde a época da Província do Grão Pará, acompanhou a criação da Província e depois Estado do Amazonas. Passou por diversos momentos, altos e baixos, mas hoje tem finalmente um momento decisivo, com a realização do plebiscito”. Autor do livro O Pará Dividido, de 1999, o professor santareno que hoje vive em Belém, não tem dúvidas do sentido histórico do desejo de emancipação do povo do Oeste, havendo também os interesses políticos ao longo do tempo. Porém, Dutra rebate quem critica o movimento como de oportunistas. “Se oportunistas há, e com certeza há, onde não os há? Na Assembléia Legislativa do Pará? No Congresso da República? Melhor que os não houvesse em parte alguma…” escreveu em um de seus artigos em seu blog pessoal. “Nós queremos a criação do Estado do Tapajós porque ele já existe. Só precisa ser oficializado”, concluiu em entrevista à nossa reportagem.

Uma mesa com debatedores representando os diversos movimentos presentes, apontou aquilo que os organizadores do evento chamaram de “o pingo do i” do SIM do Tapajós. Em sua maioria reforçaram que o novo Estado terá o desafio maior para se preocupar com a defesa de seu patrimônio ambiental, a luta contra o desmatamento, contra a corrupção, por políticas públicas mais acessíveis e próximas das reais necessidades da população, e com a oportunidade de construir uma constituição moderna. A Frase do representante da União dos Estudantes de Santarém – UES, resumiu bem o pensamento da maioria: “nosso Sim, não é o sim à madeira clandestina, ao modelo econômico devastador, é um sim à nova forma de pensar a Amazônia”.

Na tarde de hoje, em cinco grupos, os participantes vão discutir temas que apontam para “O Estado do Tapajós que desejam”: Governança e o Estado do Tapajós, ordenamento e regularização fundiária, Inclusão Social e diversidade cultural, Economia rural e Desenvolvimento urbano. As discussões vão resultar em um documento base que vai ajudar na disseminação da campanha do SIM do ponto de vista dos movimentos sociais.

Seminário Tapajós sustentável mobiliza centenas de pessoas em Santarém

13 de setembro de 2011 por Raquel Fernandes

O Seminário iniciou nessa manhã, (13) no Iate Clube em Santarém, reunindo mas de 250 pessoas vindas de comunidades ribeirinhas e planalto das cidades do Oeste do Pará. A abertura do evento foi marcada com o pronunciamento de representantes de instituições.

No segundo momento a plenária manifestou-se com falas comunitárias trazendo o reflexo das articulações em prol do SIM.

O objetivo é mobilizar os movimentos sociais e juntos construir um documento que norteie as ações para o novo Estado, com características que queremos, manifestando o interesse pela sustentabilidade, responsabilidade, governabilidade e cidadania.

O seminário Tapajós Sustentável, o Estado que queremos, conta com representantes dos municípios: Prainha, Uruará, Óbidos, Curuá, Almerim, Belterra, Juruti, Oriximiná, Belém, Monte Alegre, Terra Santa, Novo progresso, Trairão, Alenquer, Aveiro, Faro, Santarém. E as comunidades de: Santo Antônio, Caranã da Estrada, Paraná, Ingrácia, Vista Alegre do Cupim, Santa Luzia, Muratuba, Nova Olinda III, Santa Maria do Eixo Forte, Mentai, São José, Alter do Chão, Atodi, Curi, Nazário, São Miguel, Surucuá, Aldeia Novo Lugar, Maranhão, Tapará, Surucuá, São Pedro, Cipoal, Braço Grande, Novo Lugar, Novo Gurupá e Anã.

A tarde os grupos trabalharão nos seguintes eixos temáticos:

  1. Governança e o Estado do Tapajós
  2. ordenamento e regularização fundiária
  3. Inclusão Social e diversidade cultural
  4. Economia rural
  5. Desenvolvimento urbano

E em seguida os grupos farão a apresentação e discussão em plenária dos resultados.

Sim ao Tapajós que queremos!

Articulação Popular realizará seminário TAPAJÓS SUSTENTÁVEL

10 de setembro de 2011 por Fábio Pena

Frente ao processo político de consulta a população do Estado do Pará, através de Plebiscito para a criação do Estado do Tapajós e Carajás, as organizações do movimento popular do baixo Amazonas e oeste do Pará se organizam na Articulação Popular Pró Tapajós – APPT.

Esta articulação, composta por entidades da Sociedade civil e movimentos sociais, ao final identificadas, estará realizando nos dias 13 e 14 de Setembro de 2011, o Seminário “TAPAJÓS SUSTENTÁVEL”.

O Seminário tem por objetivo mobilizar os movimentos sociais e juntos construir um documento que norteie as ações para o novo Estado, com as características que queremos, manifestando o interesse pela sustentabilidade, responsabilidade, governabilidade e cidadania.

O Seminário se move pelo interesse em debater e divulgar o modelo de Estado que queremos e tem a responsabilidade de envolver, ouvir e garantir a participação da sociedade civil e da população de modo geral para legitimar e qualificar o debate.

Local: IATE CLUBEDE SANTARÉM

Data: 13 e 14 de Setembro

Inicio: 9:00 Horas

No dia 14 de setembro acontecerá a Festa Cultural Pró Tapajós, a partir das 17 às 20 horas na Praça do Pescador

SIM ao Novo Estados do Tapajós

Realização: Articulação Popular Pró Tapajós: CEFTBAM, GTA, CEAPAC, GDA, CITA, MOPEBAM, PROJETO SAÚDE & ALEGRIA, STTR Santarém, FETAGRI-Baixo Amazonas, FEAGLE, TAPAJOARA, FAMCOS, AOMTBAM

Laia a carta base divulgada pelo movimento:

SIM AO NOVO ESTADO DO TAPAJÓS

A criação do Estado do Tapajós sempre foi um ponto central da pauta de reorganização territorial e administrativa da imensidade amazônica. Um processo que já se desdobrou com a divisão do Estado de Mato Grosso, formando então o Mato Grosso do Sul (1977) e com a criação do Estado de Tocantins (1989).

Fruto da revolta de sua ocupação predatória, e com a “ausência do Estado” na região amazônica, a ideia do Estado do Tapajós é um projeto antigo, que tem percorrido toda a história da nossa região. Um projeto que agora volta para mais uma etapa: com o Plebiscito para a criação dos Estados do Tapajós e Carajás, quando pela primeira vez, o povo da nossa região será ouvido sobre a questão.

 

O Tapajós é parte integrante do bioma Amazônico, uma região que representa um terço das reservas de florestas tropicais úmidas do planeta, que possui o maior banco genético  e abriga um quinto de toda a disponibilidade mundial de água doce.

Uma região riquíssima e de tamanho continental, que abriga numerosos povos indígenas, comunidades tradicionais, além de municípios, metrópoles e estados. Uma variedade e uma peculiaridade que não se encontram em outras regiões do Brasil.

Uma região que apesar desse imenso potencial, continua sofrendo com a “ausência do Estado”, quando verificamos que o Gasto Social per capita na Amazônia, ainda corresponde a pouco mais de 60% do Gasto Social per capita no Brasil. Com a pobreza e a falta de desenvolvimento persistindo para a maioria da população.

Por isso, a presença do Estado, ainda que seja como agente regulador, torna-se imprescindível. Ainda mais no Pará, que mesmo detentor da maior economia da amazônia, é o Estado com os piores índices de desmatamento e de desenvolvimento humano da região norte. Mais uma vez, comprovando a “ingovernabilidade” do seu enorme território, o que torna imprescindível a necessidade de sua redivisão territorial, com a criação de duas novas unidades federativas (Tapajós e Carajás).

O TAPAJÓS QUE QUEREMOS

No Tapajós, o movimento de emancipação nasceu e cresceu sob três grandes pressupostos básicos: O isolamento geográfico; O abandono politico; e as vantagens econômicas da emancipação, elementos esses, que sempre fizeram parte da retórica emancipacionista de diferentes gerações.

Apesar da importância desses argumentos, a ideia de reorganização político territorial do Pará, sempre foi taxada de elitista, com poucos momentos destacando o protagonismo popular da região. Por isso, a popularização do projeto ainda não se consolidou, cabendo agora, ao movimento plebiscitário Pro Tapajós a grande missão de fazê-lo.

Se a “ausência do Estado” foi o motor do anseio popular para um novo Estado, precisamos agora do combustível que fortaleça a perspectiva de sua criação, acrescentando mais elementos ao nosso projeto politico.

Em primeiro lugar reafirmando a Identidade Comum de nossa população com seu território, que hoje representa um conjunto de 27 municípios, unidos pelo mesmo perfil, social, econômico e ambiental. Uma identidade social e cultural construída historicamente, que solidifica e unifica a região.

Em segundo lugar, prezando para a Sustentabilidade Socioambiental da grande região oeste do Pará, uma das últimas fronteiras verdes, com uma significativa população nativa, mestiça e oriunda dos processos de colonização da região.

Uma sustentabilidade associada aos valores humanos, capaz de trilhar um novo modelo de desenvolvimento; ambientalmente sustentável no uso dos recursos naturais, na preservação da biodiversidade; socialmente justo na distribuição das riquezas e na redução da pobreza e das desigualdades sociais; que preserve valores, tradições, e as práticas culturais regionais.

Um novo Estado, que deverá se basear nos princípios da democracia e da participação, acima dos interesses oligárquicos e de grupos políticos que historicamente vem dominando a politica e o poder no Pará. Um estado descentralizado, que não reproduza os vícios que tomaram o Pará e sua capital Belém o centro monopolizador dos recursos públicos. Um Estado que deverá ser a negação de todos os malefícios e práticas politicas que historicamente foram os percalços para que o Tapajós não se desenvolvesse e o povo não fosse feliz.

Queremos um Estado do povo para o povo, representativo de toda a população do Oeste do Pará, nas suas diversas formas de organização cultural e composição demográfica. Um Estado presente, atuante, indutor de políticas que promovam a justiça e a equidade, em oposição a ausência do Estado na região.

Um projeto de Estado com dimensões menores, com a responsabilidade de formar novas lideranças para administrá-lo, sem o qual não superaremos o jogo de dominação que persiste nas regiões do Brasil e da Amazônia em particular.

Enfim, temos o desafio de lutar por um Estado do Tapajós sedimentado em valores modernos de democracia e sustentabilidade social, ambiental, econômica e cultural, que prisma pela “sustentabilidade” e não por um “crescimento” a qualquer custo. Um projeto de reorganização territorial que sempre esteve no imaginário de toda a população do Oeste do Pará.

Santarém, 16 de Agosto de 2011

A Articulação Popular Pró Tapajós (APPT) é promovida pelas seguintes organizações e movimentos sociais:
CEAPAC – CEFTBAM – GDA – CITA – MOPEBAM – PROJETO SAÚDE & ALEGRIA – STTR Santarém – FETAGRI – FEAGLE – TAPAJOARA – FAMCOS

A APPT está aberta à adesão de entidades populares.