Atividades de Meliponicultura mobilizam comunidades da Resex Tapajós

6 de março de 2015 por Adriane Gama

 http://redemocoronga.org.br/files/2015/03/meliponicultura_adrianegama.jpg

Meliponicultura, um nome que cada vez mais vem se destacando na região, refere-se à criação de abelhas nativas sem ferrão, a qual pode contribuir muito com a diversificação e uso sustentável da terra na Amazônia. Essas abelhas, as quais produzem saboroso mel com propriedades medicinais, podem garantir a sobrevivência de plantas nativas e cultivadas, graças ao seu papel ecológico fundamental como polinizadoras.

Com intuito de difundir essa prática na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns (Resex), nos dias 26 e 27 de fevereiro, foi realizado um Curso de Meliponicultura, na Vila do Amorim, facilitada pelo técnico em manejo de abelhas do Projeto Saúde & Alegria (PSA), Alexandre Goudinho, com o apoio de uma equipe destacada do projeto formada pelo técnico em agropecuária, Silvano Martins e pelas biólogas Ândrea Colares e Adriane Gama. Esta oficina contou também com a colaboração da escola e de uma família local como apoio na alimentação. Para as práticas com as melíponas, foi usada a estrutura do meliponário cedido pelo participante da Vila do Amorim, Nilson Paz.

Este curso, faz parte das atividades técnicas sobre Boas Práticas de Produção, Beneficiamento e Fornecimento de Serviços, da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), no qual capacita beneficiários do INCRA interessados no manejo de abelhas sem ferrão com o objetivo de enfatizar a potencialidade desta atividade para a agricultura familiar nas comunidades ribeirinhas. Dessa forma, a Meliponicultura pode ser mais uma alternativa econômica que agrega renda extra aos comunitários, em sintonia com o uso racional e sustentável de recursos naturais, envolvendo outras iniciativas, como educação ambiental e turismo comunitário.

Estavam presentes neste curso, representantes de seis comunidades da região do Lote 10 do ATER – PSA: Cabeceira do Amorim, Brinco da Moças, Enseada do Amorim, Mapirizinho, Uquena, Limãotuba e Vila do Amorim. Foram dois dias de vivência na cultura das abelhas sem ferrão. Depois de muita chuva, no início das aulas na escola, o sol apareceu e manteve-se na maioria do tempo, contribuindo com as aulas de campo.

Os participantes tiveram aula teórica que abordava conteúdos referentes a morfologia das Meliponidae (abelha sem ferrão), sua distribuição geográfica, períodos de floração, tipos de ninho e alimentos, predadores naturais e estrutura das colônias de meliponídeos. Na parte prática, os agricultores com devidas roupas de proteção, tiveram orientações sobre técnicas de captura, transferência e divisão de colônias, tanto in natura (tronco da árvore) quanto nas caixas, construção e posição de meliponários, como alimentar artificialmente determinadas espécies e por fim, coleta e armazenamento do mel das abelhas.

O resultado foi bastante satisfatório para todos os alunos neste segundo encontro (o primeiro aconteceu no final do ano passado no Centro Experimental Floresta Ativa do PSA na Resex). Todos estavam muito empenhados e cuidadosos a seguir todas as etapas do manejo destas abelhas, aliando suas experiências com as técnicas da meliponicultura. No final, os participantes receberam um material de aprendizagem, e por comunidade, foi doada uma caixa modelo montada para que cada um possa iniciar suas atividades em seus meliponários. Ainda houve um brinde coletivo com direito a degustação de mel.

De acordo com o técnico Alexandre, meliponicultor há 10 anos, esta realização foi positiva pela forte presença das comunidades, atendendo a meta do projeto de desenvolver atividades do ATER para os moradores que se inscreveram na oficina. “Com relação às aulas, conseguimos exercitar uma atividade considerada nova na Resex, que tem dado certo em algumas comunidades, apresentando um modelo, levando em consideração a prática do dia a dia do morador”, aponta o produtor.

O técnico ainda pontua que “o curso foi completo, trabalhando paralelamente com o social, ambiental, comercialização do produto e organização do grupo. O fator principal disso, foi desenvolver uma atividade recente, que se fala em preservação ambiental, melhoramento da renda familiar, com abordagem na organização social, como acontece dentro de uma colmeia. Inclusive, dentro dessa prática de manejo, a gente pode verificar durante todo o curso, como esse processo está sendo discutido no projeto de ATER”.

Por sua vez, os participantes estavam muito entusiasmados. Para Ronaldo Lopes, produtor da comunidade de Uquena, disse que “o curso serviu para aprimorar mais meus conhecimentos e que a partir de agora, é colocar em prática o que nós aprendemos para poder repassar com mais segurança, as técnicas e vivências com essas espécies, para os iniciantes”.

Já para a moradora de Brinco da Moça, Dona Mercedes Farias, suas expectativas foram alcançadas sendo que o mais interessante para ela foi conhecer a organização social das abelhas e como retirar o mel diretamente dos potes, seja ele do interior das árvores ou do meliponário. A produtora ainda disse que “esta atividade com as abelhas sem ferrão pode ser uma boa opção para o desenvolvimento econômico da minha comunidade sem causar danos ao meio ambiente”.

Fotos: Adriane Gama, Ândrea Colares e Silvano Martins

ICMBio e TAPAJOARA mobilizam reuniões comunitárias na Resex

24 de julho de 2014 por Adriane Gama

reuniao_comunidade

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e a Organização das Associações da Reserva Extrativista Tapajós – Arapiuns – Tapajoara realizarão dois importantes eventos que ocorrerá de forma integrada na Resex, nos dias 28 e 29 de julho, respectivamente a II Reunião Ordinária de 2014 do Conselho Deliberativo Tapajós-Arapiuns e a Reunião do Conselho Comunitário da Tapajoara, na Comunidade de Vila Franca, a partir das 8h com término às 18h.

Serão convidados três representantes de todas as entidades envolvidas nesse processo de cada comunidade da Resex e custeadas parte das despesas dos participantes, como: transporte, hospedagem e parte da alimentação. A outra parcela será contrapartida das próprias comunidades. Para tanto cada conselheiro, deverá trazer seus materiais necessários e pertences pessoais (toalha de banho, cobertor e rede para dormir).

Haverá quatro barcos fretados com trajetos exclusivos para estes eventos, dois irão para o Tapajós e um para o Arapiuns, embarcando nos portos das comunidades, com exceção das comunidades acima de Mentai – Arapiuns que deverão ir até Mentai e solicitar reembolso de combustível. Para as instituições e comunitários que estiverem na cidade, um outro barco sairá de Santarém, em frente ao posto Santo Antônio. O retorno está previsto para segunda- feira, dia 28 de julho, após o término da reunião.

Os assuntos de interesse comunitário nestes encontros, entre outros, tratarão sobre: Situação Atual do Plano de Manejo da Resex Tapajós-Arapiuns, Projeto de Monitoramento Participativo, Projeto de Carbono Florestal, andamento dos trabalhos das Assistência Técnica Extrativista – ATER na Resex, Cadastramento de Moradores e Perfil do Beneficiário.

Confira agora o itinerário dos barcos:

1) B/M Jhuan Felipe: Rio Tapajós – Itinerário do Escrivão a Paricatuba (depois segue direto para a Vila Franca) – Esse barco sairá do Escrivão, às 7h do domingo, dia 27 de julho.

2) B/M Felipe Neto: Rio Tapajós – Itinerário de Surucuá até Vila Franca. Esse barco sairá de Sucuruá, às 7h do domingo, dia 27 de julho.

3) B/M RESEX Tapajoara: Rio Arapiuns – Itinerário de Mentai até Vila Franca. Esse barco sairá do Mentai, às 7h do domingo, dia 27 de julho.

4) B/M Janderson Felipe: Santarém/Vila Franca. Esse barco sairá de Santarém às 15h, do domingo, dia 27 de julho.

Para maiores esclarecimentos serão repassados pelo Programa Puxirum da Rádio Rural de Santarém, às 11h aos domingos, ou contatar com o Presidente do Conselho Deliberativo da RESEX Tapajós Arapiuns, Maurício SantaMaria através dos telefones (93) 3523-9578, ou a Tapajoara através do telefone (93) 9136-6797.

As dificuldades do Ensino Médio

8 de julho de 2014 por Elis Lucien

Jornal Comunitário Folha de Samaúma, Reportagem: Pedro Nunes

Por: Walter Oliveira

Os alunos da rede Estadual de Ensino ou Ensino Médio que estudam na comunidade de Cametá município de Aveiro, têm muitas dificuldades com relação ao transporte, merenda e principalmente a turma 3º ano que não tem sala de aula adequada, estuda em uma sala improvisada cercada com pedaços de ripas e lonas para evitar a desconcentração dos alunos nas aulas.

Para alguns alunos isso dificulta mais o aprendizado e outros preferem desistir dos seus estudos.

Capa do jornal Folha de Samaúma

Capa do jornal Folha de Samaúma

Para os alunos de Samaúma que estudam na escola Prof.ª Olgarice anexa ao Eduardo Angelim de Aveiro as dificuldades são ainda maiores porque eles tem que tá as 06:00hrs da manhã isso quando o barco vai levar e quando não a dificuldade é ainda maior pois eles tem que comprar gasolina para irem de bajara.

E aonde está a educação de qualidade, que o governo tanto promete é estudando de baixo de árvores?

Só lembrando, que o barco não é para levar o os alunos do Ensino Médio e sim do Fundamental.

Musas (e você) constroem Fábrica de Ração

10 de junho de 2014 por Bob Barbosa

Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo das Musas:

As Mulheres Sonhadoras em Ação (MUSA) da Vila do Anã, Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, criam peixes em viveiros e produzem a ração, orgânica e artesanal. Agora, precisam construir uma fábrica mais adequada ao trabalho delas. Em http://goo.gl/3eCWzG você se informa sobre como colaborar!

comunidade_de_ana_012

Santarém realiza I Fórum Comunitário do Selo UNICEF Município Aprovado

26 de maio de 2014 por Adriane Gama
Jovens Agentes Comunitários da Resex Tapajós-Arapiuns

Jovens Agentes Comunitários da Resex Tapajós-Arapiuns

Com o tema “Eu e meu município crescendo juntos!”, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com a Prefeitura Municipal de Santarém realizaram pela manhã do dia 15 de maio, no auditório do IESPES, o I Fórum Comunitário de Santarém – Selo UNICEF Município Aprovado – Edição 2013 – 2016. A finalidade do evento foi levantar um diagnóstico para elaborar um plano de ação municipal com a estratégia de aperfeiçoar políticas públicas que garantem os direitos das crianças, atendendo o cumprimento das metas da Agenda Criança Amazônia, compromisso firmado pelos governadores da Amazônia Legal.

A abertura contou com uma mesa cerimonial formada pela senhora Aparecida Nogueira, presidente da COMDCA (Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes), a vice-prefeita Maria José, o prefeito Alexandre Von e a adolescente Tamiris Santa Bárbara, pela Pastoral do Menor. Na plenária estavam presentes diretores das escolas da cidade, de várzea e da região de rios, presidentes de associação de bairro, servidores das secretarias (saúde, juventude, educação, trabalho e assistência social), conselho tutelar, alunos, professores e Projeto Saúde e Alegria (PSA).

A articuladora municipal, professora Gervânia Vasconcelos, explicou a metodologia do encontro dividida em dois momentos: a primeira parte, através de grupos de trabalho, foi realizado o diagnóstico da situação atual dos direitos infanto juvenil no município através das atividades: análise de uma imagem, apontando os direitos garantidos e direitos violados, e do mapeamento de serviços prestados às crianças e adolescentes. Na segunda e última parte, a plenária retornou para o auditório para a votação de uma planilha de sistematização dos objetivos de impactos referentes aos direitos das crianças, construindo um prévio plano de ação a partir do conhecimento dessas garantias.

Para este encontro, o PSA, através do projetos da UNICEF e Petrobrás, teve a oportunidade de convidar seis jovens das comunidades ribeirinhas que atuam diretamente com a mobilização comunitária sobre os direitos das crianças e dos adolescentes: Ingrid Natália e Mônica Andressa, de Anã – Rio Arapiuns, Adaías Vasconcelos e Lizikiara Reis, de Parauá e Dorotéia Vasconcelos e Tássia Cinara, de Suruacá – Rio Tapajós, os quais puderam compartilhar suas conquistas e desafios que enfrentam nesta região. Estavam ainda presentes as diretoras da região dos rios: Cassiana, de Vila de Amorim e Renata Godinho, de Anã, educadoras e grandes incentivadoras de suas comunidades.

Santarém, um dos municípios já aprovados pelo Selo UNICEF, tem como objetivo garantir até o final desta edição, sua aprovação novamente. As crianças agradecem!

*O Selo Unicef é um instrumento para que o Brasil cumpra as metas do Pacto pela Infância e Adolescência visando garantir os direitos, na prática, às políticas públicas conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, assim reduzir as disparidades regionais e apoiar o Brasil no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

*http://www.unicef.org.br/

A melhor Copa é a da Amazônia!

15 de abril de 2014 por Caetano Scannavino

Estádios prontos, que ficam no entorno de infraestruturas e serviços básicos implantados bem antes, como a água encanada, assistência em saúde da família fluvial, polos de acesso à internet para inclusão digital, projetos produtivos para geração de renda…

Uma Copa que tem como principais objetivos a educação e o meio ambiente. Que aproveita toda mobilização esportiva para fortalecer o exercício da cidadania por meio de eventos paralelos como seminários e oficinas, debatendo com a população caminhos para um futuro melhor.

Um grande evento que segue a tradição local, onde a competição esportiva se paga através dos próprios participantes, com a venda de inscrições, alimentação, bingo, ingressos para bailes dançantes,… tendo seu lucro revertido para uso em novas melhorias para população, essenciais porque ainda falta muito, apesar dos avanços.

É a Copa Floresta Ativa de Saúde & Alegria, que acontece na região do Baixo e Médio Amazonas, oeste paraense, envolvendo as 74 comunidades da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, área rural dos municípios de Santarém e Aveiro.

Copas que associam esporte com educação e cultura é uma tradição do Projeto Saúde e Alegria / PSA (www.saudeealegria.org.br), ONG que atua há quase 30 anos na Amazônia. Esta é a quinta edição, sempre com um tema central. Desta vez, a campanha é pelas florestas.

Realizada pelo PSA em parceria com o ICMBio (gestor das Unidades de Conservação no País) e a Tapajoara (Federação intercomunitária que representa os moradores da Reserva), esta aliança está a frente de um programa maior – o Floresta Ativa, que dá nome a Copa – com o desafio de promover a inclusão social a partir da produção sustentável, um passo seguinte e que vai além de programas como o Bolsa-Família.

Para isso, diversas ações vem sendo implementadas, como  uma rede viveiros para reposição florestal e SAF’s; unidades para extração de óleos vegetais e essenciais; ecoturismo de base; artesanatos; Centro Experimental de Permacultura; entre outras medidas que ajudem na renda, na alimentação e na conservação do meio ambiente a partir dos próprios moradores da Reserva.

 Floresta Ativa e a Resex Tapajós-Arapiuns, onde vivem em torno de 22 mil pessoas.

A juventude ribeirinha tem papel fundamental. São oportunidades de empreendimentos que se abrem, a integração com outros projetos pedagógicos voltados para os direitos das crianças e adolescentes; e o encontro de gerações, onde lideranças antigas começam a preparar os mais novos para condução do futuro do Território.

Oficinas de Geração entre Gerações: lideranças mais antigas e jovens na criação de produtos educativos para as campanhas.

Aproveitando o ano esportivo e o jeito “saúde e alegria de ser”, a Copa Floresta Ativa está organizada em duas competições simultâneas e integradas: uma é o torneio de futebol (masculino e feminino), e a outra é o Festival de Artes, Cultura, Educação e Comunidades, com modalidades que incluem, por exemplo, os melhores produtos locais de teatro, música, paródia, cartaz, mascote, foto, vídeo e reportagem, inspirados no lema “Juventude e Comunidades juntas pela Floresta Ativa!”

 Abertura da Copa : hino nacional tocado em vitrola movida a corda (Anumã: 4-5/abr/14).

Entre abril e maio, ocorre a “Fase de Grupos”. São 4 eventos sub-regionais, um em cada comunidade-sede, onde participam as localidades do entorno que compõem a chave.

Disputas entre as comunidades do Grupo-sede Anumã, ocorrida dias 4 e 5 de abril. Próximas etapas: Surucuá  (25-26/Abr); São Pedro (9-10/Mai) e Boim (30-31/Mai). Finais em agosto.

Acontecem sempre nos finais de semana, iniciando nas sextas-feiras com seminários e oficinas, onde as atividades do Programa Floresta Ativa são avaliadas, os próximos passos são planejados, assim como são promovidos debates sobre o território, o acesso à politicas publicas, a luta dos povos tradicionais e caminhos para fortalecer suas Organizações.

Seminário “Floresta Ativa e o Desenvolvimento Territorial” (Anumã: 4-5/abr/14).

Os sábados são reservados para as competições, esportivas e educativas, com toda cobertura feita pelos repórteres e locutores esportivos da Rede Mocoronga(www.redemocoronga.org.br), uma plataforma intercomunitária de Educomunicação (radio, vídeo, blogs e impressos) implantada pelo PSA com os jovens ribeirinhos.

No inicio da noite, hora do Gran Circo Mocorongo de Saúde & Alegria, onde esquetes educativas e culturais são apresentadas, incluindo também as premiações dos classificados do Grupo (dois por modalidade). E depois, uma grande festa dançante animada pelas bandas locais madrugada adentro, que só termina quando acaba.

Circo Mocorongo: premiação das melhores paródias, músicas, cartazes e outros produtos educativos com os temas da Floresta Ativa  (Anumã: 4-5/abr/14).

Os classificados nas modalidades esportivas e educativas durante estes 4 eventos sub-regionais, além de troféus e medalhas,  ganham o passaporte para a grande final, prevista para agosto, durante o Encontro Geral de todas as comunidades de Resex.

À esquerda, as quatro seleções do Grupo Anumã classificadas para as finais: duas masculinas e duas femininas.

Enfim, uma grande mobilização das comunidades pela floresta em pé!

#TemCopaNaFloresta!

Caetano Scannavino – Projeto Saúde e Alegria

Fotos: Caetano Scannavino, Fabio Pena, Gabriel Abreu e Palestina

Vai começar a Copa Floresta Ativa!

1 de abril de 2014 por Bob Barbosa

A Copa Floresta Ativa, de futebol, cultura e educação comunitária, começa nesta sexta e sábado, 04 e 05 de abril, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.  A competição reúne 72 comunidades localizadas nos municípios de Santarém e Aveiro e objetiva promover a inclusão social através do esporte, numa realização do Projeto Saúde & Alegria, Tapajoara (Associação das Comunidades da RESEX Tapajós-Arapiuns) e ICMBio.

CopaFlor-ChamadaAnumã2

A primeira das quatro fases classificatórias, em suas modalidades esportivas e educativas, será em Anumã, margem esquerda do Tapajós, dias 04 e 05 de abril. As outras fases classificatórias, no final do mês e em maio, ocorrerão em Surucuá, São Pedro do Arapiuns e Vila de Boim.  A grande final será no mês de agosto, em comunidade a ser definida dentre as que estão se candidatando.

Uma tradição é recuperada: entre a década de 1990 e 2001 foram realizadas quatro edições da “Copa Três Rios” – referência aos três grandes da região: Amazonas, Tapajós e Arapiuns.  Em 2014, o Projeto Saúde & Alegria junta-se à Associação Tapajoara para promover a quinta edição dessa copa ribeirinha da Amazônia, voltada para as comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

O nome da Copa indica o tema deste ano: é o Programa Floresta Ativa, que agrega à esta RESEX diversos projetos que contribuem com a viabilidade econômica, social e ambiental das suas 74 comunidades, onde vivem 20 mil pessoas.  Através do programa estão sendo implantados o CEFA- Centro Experimental Floresta Ativa, os Viveiros Comunitários para reposição florestal e também a assistência técnica (ATER) voltada ao agroextravismo, visando melhorar produção e renda famíliar. Outras iniciativas, como programas pedagógicos em defesa dos direitos das crianças e jovens da RESEX, também estão sendo implantadas pelo Projeto Saúde & Alegria e parceiros.

Em todas as etapas, a Copa Floresta Ativa contempla duas competições simultâneas, integradas e voltadas para as comunidades da RESEX: uma é o torneio de futebol (masculino e feminino) e a outra é o Festival de Artes e Educação Comunitária, com exibição de vídeos, músicas, campanhas educativas, jornais e peças de rádio produzidas pelas comunidades, inspiradas no lema “Juventude e Comunidades juntas pela Floresta Ativa!”

Ao final de cada uma das etapas, o Gran Circo Mocorongo, conduzido pelo palhaço Magnólio, celebrará as 74 comunidades e suas seleções, vitoriosas principalmente por estarem se mobilizando pelo desenvolvimento, socialmente justo e ambientalmente sustentável, do território comum a todas elas: a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

Mais informações sobre a Copa, ligue: Projeto Saúde & Alegria (93) 30678000, Paulo Lima (93) 9149-4801, Fábio Pena (93) 9152-9662 ou Tapajoara, através dos diretores Alexandre Imbiriba (93) 9209-8039 e Leônidas Farias (93) 9136-6797.

Crianças ribeirinhas fazendo arte comunitária

29 de janeiro de 2014 por Adriane Gama

crianca_circoIniciaram-se nos dias 17 a 19 de janeiro, as atividades do ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) do Incra realizadas pelo Projeto Saúde e Alegria nas comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Nesta viagem, três comunidades pólos do Lote 11 sediaram este evento com a participação das comunidades do entorno, como Capixauã (Vista Alegre e Novo Progresso), Pedra Branca (Solimões) e Maripá (Vila Franca, Santi, Campo Grande, Carão, Curipatá). Paralelo às oficinas de apresentações, uma equipe de arte-educadoras estiveram acompanhando esta primeira ação com um trabalho direcionado para o público infanto-juvenil.

Enquanto os adultos estavam atentos às informações sobre o ATER, as arte-educadoras Adriane Gama e Elis Lucien conduziram a criançada para as áreas livres das escolas, com a participação de 120 crianças ribeirinhas, entre 3 a 16 anos, com o apoio dos diretores, colaboradores e lideranças locais.

Nos três encontros intercomunitários, as atividades sócio-educativas aconteceram durante o dia, com várias dinâmicas interativas e metodologia participativa e lúdica com o intuito de estimular a percepção e pertencimento local da criança. Na Sessão Desenho Livre com o tema gerador Meio ambiente, por exemplo, após a roda de conversa sobre este assunto, cada participante desenhava sua comunidade, com um olhar voltado para o seu território e elementos baseados no contexto da sua realidade social e familiar.

Leia o resto desse post »

XIII Teia Cabocla: Desafios do território, como enfrentá-los?

8 de dezembro de 2013 por Paulo Lima

desafiosteia.redimensionado Ultimo dia da Teia Cabocla define metas e estratégias para superar desafios

Por Carlos Joseph

No último dia (07/12/2013) da XII Teia Cabocla foram finalizados os trabalhos de discussão sobre o desenvolvimento territorial e desafios da juventude na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós – Arapiuns. As atividades nos três dias foram desenvolvidas a partir da seguinte trajetória: relembrar as lutas sociais pela conquista do território, avaliar os atuais desafios e como o jovem lida com eles e por último estimular a sugestão de estratégias concretas para superar os desafios identificados durante o encontro.

Tais estratégias concretas tem relação direta com ativismo e para auxiliar na elaboração dos planos, os participantes da Teia Cabocla tiveram um bate papo com Marcelo Marquezine da Escola de Ativismo. A Escola de Ativismo é uma organização que dá suporte a diversos movimentos sociais em todo o Brasil e o ativismo é a prática da luta por um bem comum. Marquezine deixa claro porém, que essa luta não pode ser confundida com violência. “Temos que saber o limite do que fazer para não chegar à violência. Por mais justo que a causa possa parecer é preciso sempre evitar a violência”, explica Marcelo.

Um bom exemplo de ativismo foram as manifestações de julho deste ano no Brasil, onde um movimento, pela redução da passagem de ônibus em São Paulo, desencadeou diversos outros manifestos que mobilizaram, segundo o IBOPE, 12 milhões de pessoas em todo Brasil. Marcelo usou este exemplo para explicar que a prática do ativismo demanda um bom planejamento e é necessário evitar manifestações motivadas apenas por empolgação. “Vamos ser ativistas, mas não no ‘oba oba’. Tem que ter tática, estratégia. É preciso saber se é a hora certa daquela ação e nunca entrar de peito aberto, se necessário procure um advogado antes.”, enfatiza.

O ativista ressaltou ainda que em qualquer ação é necessário pensar em comunicação, chamar atenção para a causa. É importante que os objetivos e reivindicações sejam claros e definidos. Hoje em dia o ativismo está muito ligado à internet pela facilidade que a rede proporciona em desenvolver esta comunicação necessária, além de compartilhar informações e criar conexões.

Ações concretas propostas na Teia Cabocla

A partir das dicas de ativismo os participantes do evento se reuniram em cinco grupos de trabalho para traçar metas específicas de ação sobre os temas: participação juvenil, educação (ensino médio de qualidade), trabalho e renda e acesso à informação/direito à comunicação. Esta última etapa do evento se justifica pelo princípio de que não basta apenas levantar e reconhecer os problemas existentes, mas também é necessário partir para ação almejando alcançar as mudanças necessárias.

Temas discutidos na última atividade da Teia Cabocla:

gruposteia.redimensionadoOrganização e mobilização juvenil:

Este tema é relacionado ao fato de muito jovens não se interessarem pelos movimentos sociais, reuniões de sindicatos e outros grupos de mobilização. Durante o encontro de gerações da Teia Cabocla, que reuniu antigos e novas lideranças em uma mesa redonda, o jovem João Paulo citou esta problemática. “Falta engajamento de muita gente e recebemos muitas críticas por conta desses jovens que não se interessam na defesa do território. Temos muitas dificuldades de fazer as pessoas entenderem que é preciso lutar pelo bem comum”, ressalta a jovem liderança.

Nos grupos de trabalho os jovens identificaram que o problema ocorre, principalmente devido a falta de apoio dos pais, que não incentivam a participação dos filhos e também pelas reuniões não atraírem as atenções dos jovens. Como solução foi proposta que haja reuniões específicas para a juventude que envolva música, dança e outras atividades que atraiam os jovens. Os próprios jovens tomarão à frente para que as mudanças ocorram.

Trabalho e renda:

A dificuldade no acesso à educação de qualidade e a falta de capacitação técnica dificultam a busca por alternativa de geração de renda nas comunidades da Resex. Os participantes destacaram que é preciso estimular o espírito empreendedor do jovem para aproveitar o que pode ser feito com recursos disponíveis na comunidade para gerar renda, mas que é também preciso ter acesso a mais cursos de qualificação em empreendedorismo para inclusão produtiva. O grupo que trabalhou o tema propôs ainda a formação de uma cooperativa mista, dentro do Programa Floresta Ativa do PSA. Esta cooperativa proporcionaria mais renda através do trabalho coletivo e utilizaria de forma sustentável os recursos disponíveis na Resex.

Meio Ambiente:

O principal objetivo da Resex é garantir a conservação dos recursos tradicionalmente utilizados pela população extrativista da área, por isso a preservação do meio ambiente deve sempre ser discutida. A grande problemática relacionada ao tema é que certos fatos, que vão de encontro com o objetivo da Resex, estão passando despercebido pelos moradores das comunidades. Podem ser citados exemplo como a aproximação de madeireiras que invadem os limites da reserva e a construção de hidrelétricas no alto Tapajós.

O grupo que conduziu o tema questionou que este fatos, apesar da importância, não são contextualizados nos jornais e rádios das comunidades e sugeriu criar uma rede de comunicação do meio ambiente para que haja um fluxo de informações entre as comunidades.

Educação:

A dificuldade no acesso ao ensino médio faz com que muitos jovens deixem suas comunidades e migrem para Santarém com a intenção de concluir o ensino básico. Já nas comunidades onde existe acesso ao ensino médio este é ofertado na modalidade modular. De acordo com os jovens da Resex o ensino modular, apesar de ser uma alternativa para concluir o ensino básico, não é adequado.

É necessário que o jovem lute por uma educação de qualidade. O grupo que se aprofundou no tema propôs as seguintes ações para iniciar um movimento por uma educação melhor: Expor a realidade educacional para as comunidades, pautar o assunto em movimentos sociais, nas entidades representativas e organizações sindicais e criar um grupo de estudo e pesquisa sobre o tema. O objetivo desta última proposta é ter um embasamento científico que comprove o problema e identifique o real cenário da educação nas comunidades. Além disso devem lutar por um modelo de ensino médio voltado para os potenciais produtivos da Resex, mais focada, por exemplo,  na profissionalização do jovens para o manejo dos recursos naturais.

Para se avançar nas metas seriam utilizadas as redes sociais para expor a situação e criar espaços de discussão com o tema a “escola que queremos”.

Acesso à informação e direito à comunicação

O acesso à comunicação hoje é uma das formas mais eficientes de se fortalecer as lutas sociais em busca do bem comum. Como enfatizou Marcelo Marquesine da Escola de Ativismo, em qualquer ação é necessário pensar em comunicação.

Nos últimos anos houve avanços significativos neste sentido dentro da Resex com a instalação de telecentros e ampliação da cobertura telefônica. Porém, ainda há muito o que se conquistar. Nesta perspectiva se propôs intensificar a cobrança pela agilidade na instalação de novos telecentros. Uma forma de pressionar por esta agilidade é expor os problemas na imprensa local e denunciar através de vídeos e postagem nas redes sociais

Outra proposta é se organizar para que se conquiste a concessão de sinais de rádios comunitárias, transformando rádios postes em FM. Outro bandeira de luta é cobrar a ampliação do Programa Luz Para Todos para facilitar a utilização de aparelhos eletrônicos de comunicação. Chama a atenção o atraso da implementação do Programa Telecentros.BR que já entregou equipamentos e mobiliários para vários Telecentros Comunitários mas entraves burocráticos impedem a instalação desses espaços de acesso à informação, cultura, educação e comunicação. Como proposta os jovens indicaram a organização de uma campanha nas redes sociais e abaixo assinado para dar visibilidade ao problema.

Protagonismo juvenil

A grande lição deixada pela XII Teia da Comunicação é de que o futuro da Resex está nas mãos dos jovens. As decisões tomadas hoje, bem como as atitudes adotadas, influenciarão diretamente no desenvolvimento territorial da reserva.

O jovem tem a força, audácia e motivação para superar os desafios e mostrou, que ao contrário do que se pensa, está disposto participar ativamente da luta pelo bem comum.

 

Encontro de gerações na XIII Teia Cabocla

6 de dezembro de 2013 por Paulo Lima

Foto Ellen Acioli

Por Carlos Eduardo Joseph

Olhar para o futuro se espelhando no passado e cuidando do presente. Nesta perspectiva foi conduzido o Diálogo entre gerações nos territórios, uma das atividades da XIII Teia Cabocla. Através de uma mesa redonda foram colocados lado a lado lideranças comunitárias, da antiga e nova geração. No centro do debate estavam os desafios enfrentados na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós – Arapiuns.

O que almeja um jovem que vive em uma das comunidades da Resex? Quais as suas perspectivas e como ele se integra na luta pela preservação do território? E como líderes que participaram ativamente da luta pela criação da Resex observam o papel dos jovens agora com a reserva consolidada? São questionamentos que levam a uma reflexão profunda sobre o papel social de todos no contexto de preservação cultural e ambiental.

Entre os participantes da mesa redonda estavam Livaldo Sarmento de 55 anos e Antônio Oliveira, mais conhecido como Seu Mucura, de 75 anos. Ambos são lideranças que participaram ativamente da luta pela criação da Resex. Os outros participantes eram os jovens Julio César e João Paulo de 19 anos e Ingride Natália de 17 anos, todos dando os primeiros passos nas lutas sociais. Com todos sentados à mesa era interessante o impacto visual provocado pela diferença de idade, porém, mais interessante ainda foi observar que apesar de pertencerem a gerações diferentes todos compartilham os mesmos ideais de conquistas através da união comunitária.

Na Resex Tapajós – Arapiuns moram cerca de 22 mil pessoas em 74 comunidades. A reserva foi criada em 1998, após muita luta contra a exploração madeireira intensiva, que ameaçava comunidades tradicionais com modo de vida baseado no extrativismo e agricultura de subsistência. “Chegou um momento que tivemos que unir todas as comunidades e lutar para garantir que essas terras continuassem sendo nossas e de nossos filhos e netos”, lembra Livaldo Sarmento.

geracoes

Após 15 anos a consolidação da Reserva Extrativista, como um ambiente ideal para a vida harmoniosa do homem com o meio ambiente, passa necessariamente pela ampliação de serviços essenciais como saúde e educação. Além disso é importante criar mecanismos de capacitação comunitária para melhor aproveitamento dos recursos naturais disponíveis. Tais benefícios só podem ser conquistados a partir da união das comunidades para cobrar melhorias do poder público. Neste caso o papel do jovem é fundamental.

Seu Antônio Oliveira afirma que vê com muito entusiasmo a participação do jovem nas lutas comunitárias. “No meu tempo conseguimos criar muitos grupos de apoios, associações, sindicatos e outras formas de organização comunitária, e eu percebo que o jovem de hoje é muito parecido com o daquele tempo”, declara Antônio. Ingride Natália esclarece que o engajamento de muitos jovens é fruto do exemplo tomado com antigas lideranças. “Eu cresci vendo a luta dos meus pais e outros comunitários e me tornei uma pessoa comprometida com o bem comum. E tudo isso me faz ter vontade de me engajar em sindicatos, associações e até no conselho deliberativo da Resex e outros projetos”, enfatiza a jovem.

A dupla de líderes mais antigas, Livaldo e Antônio, observam uma vida melhor nas comunidades após a criação da Resex. “Hoje nós já temos mais escolas, casas de alvenaria e outros projetos conquistados com organização e muita luta”, esclarece Livaldo. Todos enfatizam ainda que hoje há facilidades de mobilização e comunicação, uma vez que em muitas comunidades já funcionam celulares e Internet, além de haver mais embarcações que fazem o transporte comunitário. “Minha mãe conta que antes para participar de reuniões de sindicatos em Santarém uma viagem demorava até uma semana, por conta do barco ser pequeno. Hoje em dia a viagem é muito mais rápida”, lembra Ingride Natália.

Mesmo com o quadro otimista, apontado pelos comunitários, há motivos para preocupação. João Paulo afirma que da mesma forma que há um número considerado de jovens comprometidos com as lutas sociais, também é grande os que não se preocupam com as causas da reserva. “Falta engajamento de muita gente e recebemos muitas críticas por conta desses jovens que não se interessam na defesa do território. Temos muitas dificuldades de fazer as pessoas entenderem que é preciso lutar pelo bem comum”, ressalta a jovem liderança.

As preocupações evidenciam a importância da união para as conquistas sociais. “Meus pais dizem que é nossa missão valorizar a cultura local, lutar pelo território. Podemos fazer isso utilizando os recursos que nós temos”, enfatiza Júlio César. Livaldo lembra que os jovens com 15 anos hoje não viram a luta pela criação da Resex e que cabe aos adultos sempre dar apoio aos mais jovens e lembrar dos desafios, porém cabe aos mais novos tomar à frente das associações e bandeiras de luta. “O futuro da Resex está no que esta geração decidir”, enfatiza o comunitário.

Uma boa fórmula, para que a Resex cumpra seu papel de garantir a exploração autossustentável dos recursos naturais, é mesclar a experiência de quem já enfrentou muitos desafios na luta comunitária e a motivação, audácia e força dos jovens.