A votação do Substitutivo do Código Florestal revelou a profunda crise pela qual passam os partidos políticos. Enquanto o líder do PT anunciava seu voto contra o texto, deputados petistas se alinhavam aos ruralistas e votavam favoravelmente. O líder do bloco (PSB, PCdoB, PMN e PRB) declarou e votou contra, mas liberou sua bancada para votar “conforme sua consciência”. O PSDB, também, liberou a bancada. O PSOL e o PV anunciaram seu voto contrário.

Edélcio Vigna, assessor do Inesc
Fonte: www.inesc.org.br
A história é escrita pelos vencedores, as legislações também. Isso ficou demonstrado na votação do Substitutivo do Código Florestal, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. A Bancada Ruralista ligou a máquina niveladora (ou desniveladora) e impôs o texto aos partidos e parlamentares contrários. A Bancada Ruralista, as multinacionais, os oligopólios, os monopólios, as instituições financeiras internacionais estão ditando a legislação ambiental e as sentenças judiciais. A autonomia do Estado brasileiro está ameaçada e suas instâncias legislativas e judiciárias comprometidas.
A segurança legislativa controlou, com rigor, a entrada das pessoas na Comissão. Só entraram os convidados ou os credenciados na Câmara. Os filiados das federações rurais eram em número expressivamente superior às lideranças dos movimentos sociais e ambientais. Muitos trabalhadores rurais e ambientalistas ficaram na porta, no corredor da Comissão.
O plenário estava praticamente tomado pelos líderes rurais, de terno, e pelos liderados de camisetas amarelas com os dizeres “Preservar e Produzir”. Esse desequilíbrio foi questionado, mas o presidente da Comissão sequer se deu o trabalho de responder.
Destroços Partidários
A votação do Substitutivo do Código Florestal revelou a profunda crise pela qual passam os partidos políticos. Enquanto o líder do PT anunciava seu voto contra o texto, deputados petistas se alinhavam aos ruralistas e votavam favoravelmente. O líder do bloco (PSB, PCdoB, PMN e PRB) declarou e votou contra, mas liberou sua bancada para votar “conforme sua consciência”. O PSDB, também, liberou a bancada. O PSOL e o PV anunciaram seu voto contrário.
O PSDB alertou que a aprovação do Substitutivo implicará no descumprimento do Acordo de Mudança Climática aprovado em Copenhague e as metas definidas não serão cumpridas. O Estado brasileiro será responsabilizado internacionalmente. Afirmou que ampliar a área de produção não vai melhorar a posição do País no mercado internacional agroexportador e os produtores rurais estão sendo iludidos.
O PSOL e o PV apontaram diversas falhas no processo legislativo. Afirmaram que o Substitutivo é um remedo de Código e em vez de somar, dividiu. “Como ficam os produtores que respeitaram o Código, diante da anistia aos que burlaram a legislação?”, perguntavam os parlamentares.
É lamentável que partidos e deputados legitimados pela luta social estivessem tão distantes das lideranças dos movimentos agrários. Os movimentos sindicais, como a Contag, Fetraf e CUT, estavam alinhados contra o Substitutivo, mas suas vozes não eram suficientes diante dos interesses que moviam os ruralistas.
Pontos Críticos
Entre os pontos que mais agridem o meio ambiente e depredam os recursos naturais e o Tesouro Nacional, estão os seguintes:
– Os proprietários que foram multados até julho de 2008 serão anistiados e poderão utilizar os benefícios do programa de Regularização Ambiental;
– As várzeas não serão mais consideradas como área de Preservação Permanente;
– Liberação dos desmatamentos nos topos de morros;
– Os empreendimentos hidrelétricos não estão sujeitos a constituição de nova reserva legal;
– Supressão de vegetação nativa protetora de nascentes, de dunas e mangues poderá ser autorizada em caso de utilidade pública;
– As pequenas propriedades ficam liberadas de possuir áreas de Reserva Legal;
– O Zoneamento Ecológico-Econômico Estadual poderá reduzir a Reserva Legal na Amazônia Legal em até 50% e no cerrado em até 20%;
– São isentos da reposição florestal aquele que utilize matéria prima florestal “sem valor de mercado”. Leia o resto desse post »