Jovens ribeirinhos rumo a Suruacá

3 de novembro de 2011 por Elis Lucien


A juventude que estava em terras mocorongas já encontra à bordo do barco Saúde e Alegria rumo à comunidade de Suruacá que irá sediar o X Encontro da Teia Cabocla. O enconto já começou nas águas do rio Tapajós rumo a Suruacá. As comunidades de Cachoeira do Aruã, Santi, Pedra Branca, Vila de Boim e equipe do projeto Vagalume-Casinha e representantes do Projeto Saúde e Alegria, da Caravana de Educação, estão chegando.

X Encontro da Teia Cabocla reúne comunidades ribeirinhas

1 de novembro de 2011 por Fábio Pena



Foto: Teia Cabocla 2010

Cerca de 150 jovens e lideranças de 40 comunidades espalhadas nos rios Tapajós, Amazonas e Arapiuns, nos Municípios de Santarém, Belterra e Juruti, tem encontro marcado nos dias 04, 05 e 06 de novembro de 2011, na comunidade de Suruacá, margem esquerda do Tapajós. Eles vão trazer na bagagem as experiências de suas comunidades com o Programa de Educação, Cultura e Comunicação do Projeto Saúde e Alegria – PSA, que conta com o apoio da Vivo e Fundação Telefônica. Lá estarão representantes de Comissões Locais de Educação Popular, Agentes Multiplicadores dos Direitos das Crianças e Adolescentes, Monitores de Telecentros para Inclusão Digital, Repórteres da Rede Mocoronga, de rádios, jornais, blogs comunitários e núcleos de produção audiovisual com uso de celulares.

Juntos, vão avaliar e planejar ações que estão desenvolvendo de forma integrada num grande Arranjo Educativo Intercomunitário para a promoção da cidadania, da saúde comunitária, dos direitos das crianças e adolescentes e da cultura das comunidades ribeirinhas.

Na sexta-feira, dia 04 /11 à noite, a abertura do encontro contará com a apresentação das comunidades que vão trazer músicas, artesanatos, objetos representativos de sua diversidade cultural, expressando a simbologia de sua integração na Teia Cabocla. Além das falas dos coordenadores do PSA, dos parceiros e financiadores do projeto, e lideranças regionais, a abertura terá a uma grande recepção cultural preparada pela comunidade de Suruacá aos visitantes.

Conexão Amazônica – o barco de linha do futuro

Um dos principais temas a serem discutidos no sábado, dia 05/11, será “Comunidades da Amazônia na Sociedade da Informação”, que contará com a presença do representante da Vivo/ Fundação Telefônica, Luiz Fernando, falando sobre “economia criativa e sociedade em rede”, e da representante do programa Telecentros Br/ Governo Federal, Cristina Mori, falando das ações do Programa Nacional de Inclusão Digital na Amazônia. E dois jovens participantes da Teia Cabocla, Mônica de Almeida e Maikson Serrão, vão destacar o tema: “O mundo vê a gente, a gente vê o mundo”: o potencial de conteúdos comunitários na rede. Será feita o que está sendo chamado de “Piracaia Temática”. A piracaia é um hábito peculiar das comunidades ribeirinhas de assar o peixe na brasa à beira da praia, enquanto contam as histórias do dia num bom bate papo. Todos estarão convidados a saborear a piracaia de novos conhecimentos, olhando a importância de conectar a Amazônia ao mundo, principalmente a partir da visão que quem vive na região.

Na conversa, as experiências dos telecentros culturais comunitários implantados nas comunidades ribeirinhas estarão na pauta. Em parceria com o Programa Telecentros Br, a Rede Mocoronga já conta com 12 telecentros equipados com computadores e acesso à internet no meio da floresta, onde os jovens podem divulgar sua realidade e ter acesso às informações que são úteis no seu desenvolvimento pessoal e de suas comunidades. Mais 09 telecentros estão previstos até o começo de 2012, com meta de 40 unidades à médio prazo.

Destaque também para o Projeto Conexão Amazônica, parceria com a Vivo, que permitiu ampliar as possibilidades de conectividade a partir da implantação de uma antena 3G em Belterra em 2009, e outra torre na comunidade de Suruacá, às margens do rio Tapajós. As comunidades estão tendo acesso à telefonia celular e à internet 3G. O projeto também fez doação de 100 celulares com crédito para a melhor interlocução com as atividades do Projeto Saúde & Alegria. E 15 grupos, também receberam um kit (celulares e lap tops) e capacitação para produção de conteúdos locais e sua publicação na internet.

Cada vez mais, o rico repertório sociocultural das comunidades ribeirinhas, antes escondidos debaixo da floresta, passa a estar nas telas de um smartphone ou à um clique de um post num blog com nome curioso, como Muratuba ou Suruacá. É a cultura digital que já é realidade na floresta.

MocoOscar – tapete vermelho para as produções de vídeo da Rede Mocoroga

Durante a Teia Cabocla, acontecerá também a premiação para os vídeos produzidos pelas comunidades durante 2011, especialmente aquelas que participaram das oficinas de produção audiovisual com o uso de smartphones. Na noite de sábado, os vídeos serão exibidos e o tapete vermelho será estendido para valorizar os talentos ribeirinhos. Os produtores, cinegrafistas, editores e atores protagonistas são as pessoas das próprias comunidades. É a amazônia do caboclo, pelo caboclo da Amazônia.

Educar para promover os direitos das Crianças e Adolescentes

Outro assunto que será tratado no encontro, é o fortalecimento das iniciativas de educação popular pelos direitos das crianças e adolescentes. Durante todo o ano, através de um projeto tem apoio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança de Santarém, o Projeto realizou caravanas de educação nas comunidades, através de metodologias lúdicas que permitiram às comunidades discutir os problemas que afetam esses direitos, e como a própria comunidade pode se organizar para superá-los.

Nessas oficinas, através da criação de Comissões Locais de Educação, equipe do projeto e comunitários realizaram um diagnostico dos principais problemas apresentados, entre os quais destacam-se saúde da criança; gravidez na adolescência; alcoolismo na família e na juventude;  problemas de convivência familiar e comunitária.

O Encontro da Teia Cabocla será um espaço para aprofundar a discussão sobre esses temas e elaborar estratégias comuns. Através da criação de um grande Arranjo Educativo Intercomunitário, os agentes vão integrar os meios de comunicação já disponíveis em suas comunidades para promover campanhas educativas em 2012. Além disso, um grupo de jovens está sendo capacitado em metodologias artísticas para apoiar as atividades da equipe do projeto, qualificando as abordagens educativas do Circo Mocorongo de Saúde & Alegria.

Oficinas práticas de produção colaborativa

O domingo, dia 06/11 está reservado para oficinas que vão capacitar os participantes da Teia Cabocla em produção de vídeos, rádio, redes sociais, produção de blogs e jornalismo comunitário, circo e teatro. As oficinas contarão com a participação do Coletivo Puraqué, grupo de ativistas da cultura digital de Santarém.

Na noite de domingo, será feita a apresentação das produções no Gran Circo Mocorongo, com atrações das comunidades participantes, seguida de grande festa de integração intercomunitária.

Acompanhe a cobertura do evento em: www.redemooronga.org.br
Ou pelo twitter: @redemocoronga

X Encontro da Teia Cabocla: sua comunidade não pode ficar de fora!

28 de outubro de 2011 por Fábio Pena

Ministro da Saúde Alexandre Padilha inaugura o Abaré II em Santarém

28 de outubro de 2011 por Bob Barbosa

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Neste vídeo você conhece um pouco do Abaré II e assiste a sua movimentada inauguração em 14 de outubro de 2011, com a presença de muitas personalidades da área da saúde e da alegria, e claro com a ilustre presença do Ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Abaré, em tupi, quer dizer “amigo cuidador”. E a exemplo do barco pioneiro Abaré I, também foi batizado com esse nome a segunda Unidade Fluvial de Saúde da Família: o Abaré II.

Enquanto o Abaré I atende no Rio Tapajós, o Abaré II é quem leva agora Saúde e Alegria às comunidades do Rio Arapiuns.

Vila de Anã na Era Digital

27 de outubro de 2011 por Gabriel Abreu

Nos dias 25 e 26 de outubro, a equipe do Projeto Saúde & Alegria esteve na Vila de Anã, comunidade à margem direita do Rio Arapiuns, para entregar à comunidade um notebook de alta capacidade.

Com este computador as comunitárias e os comunitários de Anã poderão produzir seus próprios conteúdos de vídeo, áudio e texto e assim fortalecer a cultura local.

Vale lembrar que além do notebook a comunidade também foi contemplada com um kit de energia solar, para manter o microcomputador carregado e também carregar os celulares da comunidade.

O local escolhido para instalação do kit foi o posto de saúde. Como há energia nas 24 horas do dia, gerada pelo kit, nada melhor do que conciliar a saúde da comunidade com a alegria de ter um computador para editar os vídeos ali produzidos.

As atividades do Projeto têm apoio da Vivo/Fundação Telefônica

Três jovens do Tapajós vão participar de encontro com líderes mundiais

25 de outubro de 2011 por Fábio Pena

Os jovens Maikson Serrão, da comunidade de Boim, Rio Tapajós, Mônica Almeida, da cidade de Belterra, e Juscelino Filho, de Santarém, vão participar amanhã, dia 26/10/2011 na cidade do Rio de Janeiro, do encontro “Construindo um futuro melhor para todos: engajamento com a juventude brasileira”, promovido pelo movimento Elders. Trata-se de um grupo independente de grandes líderes mundiais formado por Martti Ahtisaari, Kofi Annan, Ela Bhatt, Lakhdar Brahimi, Gro Brundtland, Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter, Graça Machel, Mary Robinson e Desmond Tutu, reunidos por iniciativa de Nelson Mandela, com o objetivo de direcionar sua experiência e influência a serviço da construção da paz, enfrentamento das principais causas de sofrimento humano e promoção dos interesses comuns da humanidade.

O encontro no Brasil tem por objetivo propiciar aos líderes The Elders um diálogo aberto com jovens brasileiros sobre problemas do país que o preocupam, bem como questões globais. O objetivo é inspirar um debate e desenvolver ideias para ações concretas que poderão ser compartilhadas com líderes e políticos do Brasil.

Foram selecionados aproximadamente 50 rapazes e moças com idades de 18 a 26 anos representando um amplo corte transversal da sociedade brasileira. Os participantes foram convidados como indivíduos, e não como representantes das suas organizações. Eles são jovens com participação ativa em suas comunidades, oradores confiantes e que têm algo importante a dizer sobre os principais problemas do país. Entre os principais temas a serem discutidos estão: i) Meio ambiente e desenvolvimento sustentável; ii) Empoderamento das mulheres; promoção da igualdade de gêneros; iii) Criação de um Brasil mais justo: raças e multiculturalismo; iv) Combate à violência: a função do governo e da sociedade.

O Projeto Saúde & Alegria indicou três jovens que foram selecionados para o encontro. Eles estão envolvidos com as iniciativas do projeto, como a Teia Cabocla de Lideranças Juvenis,  que proporcionam o protagonismo da juventude da Amazônia no cenário nacional e internacional, desenvolvendo suas capacidades de expressar e negociar suas demandas nos espaços públicos. Conheça o perfil desses jovens abaixo:
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Caminhada ecológica muratubense

25 de outubro de 2011 por Elis Lucien

Vizando a prevenção de várias doenças causadas pelo lixo, assim como a proteção do meio ambiente, os alunos e professores do ensino médio modular de Muratuba, realizaram nesta sexta-feira, dia 23 de setembro, um grande mutirão de limpeza nas praias, estradas e quintais das famílias muratubenses.

Segundo Inádia Almeida, aluna do 1º ano do ensino médio, os resultados obtidos com a caminhada foram vários, “Primeiramente os incentivos através dos professores e depois o desenvolvimento de atividades escolares relacionadas ao lixo, como a sua coleta, de acordo com o contexto dado em sala de aula. E o mais importante foi deixar a frente de nossa comunidade limpa, não somente a frente mas também estradas e praias onde alunos e professores passaram coletando o lixo. Esperamos que não seja somente essa caminhada, mas que ela sirva de incentivo para que possam vir muitas outras”.

Portanto amigo leitor, vamos ajudar a preservar o meio ambiente, começando pela nossa casa onde reside a maior parte do lixo e também nos meios públicos onde toda comunidade se reune, e que você procure entender melhor as consequências que o acúmulo de lixo nos traz. Além disso, ver a necessidade que se tem de preservar o meio ambiente e com isso termos o mais importante, a saúde.

Inaugurada nova Unidade Fluvial de Saúde da Família pelo Ministro Alexandre Padilha

20 de outubro de 2011 por Fábio Pena

No último dia 14/10, aconteceu no terminal turístico na Orla de Santarém, a inauguração da 2a Unidade Fluvial de Saúde da Família que funcionará à bordo do catamarã Abaré II, construído pelo Projeto Saúde & Alegria (PSA) com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. O serviço vai atender 42 comunidades ribeirinhas do rio Arapiuns com a atenção básica de saúde.  A Unidade foi entregue à comunidade santarena em cerimônia que contou com a presença de representantes do PSA, das comunidades, da Prefeita de Santarém, Maria do Carmo, do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entre outras autoridades.

O lançamento desta 2a Unidade Fluvial de Saúde da Família na região é resultado da iniciativa exitosa desenvolvida pelo Projeto Saúde & Alegria e as Prefeituras de Santarém e Belterra no atendimento à saúde das populações ribeirinhas do rio Tapajós por meio do Barco ABARÉ, com apoio da Fundação Terre des Hommes. Após alguns anos de experiência, se tornou a primeira Unidade beneficiada pela Portaria 2.191 de três de agosto de 2010, inspirada também no próprio Abaré,  que instituiu critérios diferenciados de implantação, financiamento e manutenção da Estratégia Saúde da Família Fluvial, visando beneficiar as populações ribeirinhas da Amazônia Legal e Mato Grosso do Sul.

Na cerimônia, a Prefeita Maria do Carmo, afirmou que foi graças à parceria com o PSA, que este modelo deu certo. “O Saúde e Alegria não é só um parceiro, foi o verdadeiro idealizador e entusiasta que construiu juntamente conosco esse projeto. Decidiram batalhar por um recurso para tornar realidade o Abaré I, que veio e mostrou ser possível levar saúde de qualidade aos ribeirinhos. É um exemplo de política comunitária. Não fomos nós que ousamos com esta proposta,  foi uma ONG que não tem ninguém do governo, mas que conseguiu com que o Governo Federal ouvisse, e transformasse essa experiência em politica pública. É uma política pública criada aqui no Tapajós, que agora o Brasil está vendo se transformar em política nacional”.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou a trajetória da experiência ainda como médico na época em que trabalhava em Santarém. “Muita gente achava que o os irmãos Caetano e Eugênio Scannavino eram loucos quando saiam com um projeto debaixo do braço, com a idéia de que era possível e necessário um barco que levasse atendimento em saúde para as comunidades ribeirinhas, além da necessidade de ter implantação de pedras sanitárias, formação de agentes comunitários e lideranças, conselhos locais de saúde”, lembrou o Ministro.

A idéia deu certo e avançou com o funcionamento do Abaré desde 2006, atendendo 70 comunidades do rio Tapajós, beneficiando mais de 15 mil pessoas que hoje têm acesso regular aos serviços básicos de saúde. Porém, até 2010, o serviço era sustentado basicamente com recursos captados pelo Projeto Saúde & Alegria junto à cooperação internacional e não tinha garantias efetivas de continuidade.

O Ministro Alexandre Padilha, afirmou que “lá atrás, no inicio, comentava que o projeto só seria sustentável se pudéssemos convencer os governantes locais, os gestores, comprometendo o conjunto do SUS para que se tornasse uma política pública de verdade”.

É o mesmo pensamento que tem o coordenador do Projeto Saúde & Alegria, Caetano Scannavino. “O papel de uma organização não-governamental como nós não é substituir a função do governo, mas sim somar esforços para construir soluções que melhorarem a vida das pessoas mais necessitadas e sejam ao mesmo tempo referências replicáveis como políticas públicas, o que dá uma nova escala ao trabalho. Com a Portaria, o que se semeou no Tapajós poderá gerar benefícios para toda  Amazônia e Pantanal. E o primeiro exemplo disso já é Abaré II na região do Arapiuns”. A outra diferença é que a politica pública é perene, e os projetos de ONGs tem inicio, meio e fim, dependem de recursos, nem sempre assegurados”.

Por meio da Portaria da Saúde Fluvial, desde janeiro de 2011, a Prefeitura de Santarém passou a receber diretamente os recursos do Governo Federal para sustentar a logística e pagar as equipes que atuam à bordo do Abaré I, assumindo a responsabilidade plena do serviço de atendimento da população. O Projeto Saúde e Alegria continuou como parceiro no desenvolvimento das ações educativas e no controle social. É o que vai acontecer com a nova unidade, o catamarã Abaré II.

“O que estamos fazendo hoje, não é apenas inaugurando mais um barco, mas escolhemos Santarém, para reforçar o Programa Nacional de Unidades Básicas de Saúde Fluviais lançado ano passado. Entendemos que todos brasileiros que moram nas comunidades ribeirinhas da Amazônia e Pantanal, merecem ter o mesmo tratamento de qualquer outro brasileiro. Experiências como a do Abaré nos influenciam numa decisão muito clara do Governo da Presidenta Dilma, de escolher a atenção básica, a partir da comunidade, perto de onde as pessoas vivem, numa grande prioridade da saúde em nosso país. Por isso, lançamos o programa com 40 unidades, e já temos mais 60 propostas recebidas, e vamos chegar a 100 unidades fluviais até 2014”, explicou Alexandre Padilha.

O lançamento do programa é uma resposta importante à uma das maiores maiores reivindicações das populações que vivem em regiões de floresta e ribeirinhas, onde doenças simples, de origem primária, tornam-se graves devido à falta de intervenção efetiva e adequada. Na região Norte, apesar dos avanços, a implementação do Sistema Único de Saúde – SUS ainda é um grande desafio, sobretudo nas zonas rurais. Com municípios do tamanho de países, longas distancias, populações dispersas de difícil acesso, baixo investimento em saneamento, dificuldades de transporte e de comunicação, a rede pública tem alcance insuficiente, agravado também pelos altos custos logísticos para interiorização das equipes de saúde sem que houvesse mecanismos de financiamento público compensatórios e apropriados ao contexto amazônico. “Trata-se de um importante aprimoramento do SUS que ainda tem muitos desafios, principalmente pelas desigualdades sociais e geográficas do país. Mas o desenvolvimento de uma experiência como essa comprova que é possível aprimorar o sistema para que ele chegue efetivamente na ponta, para quem mais precisa”, comenta o médico Fábio Tozzi, um dos coordenadores do projeto.

A 2a Unidade Fluvial de Saúde de Santarém possui estrutura física com pronto atendimento, farmácia, consultório médico, sala de Coleta de PCCU/sala de enfermagem, gabinete odontológico, laboratório, sala de vacina, área de espera, banheiros para usuários e servidores, camarotes masculino e feminino, refeitório, espaço para redes, copa e depósito de materiais.

Após a inauguração, uma equipe composta por 15 servidores da SEMSA (médico, enfermeiros, odontólogo, TSB, técnicos de Enfermagem, técnico de laboratório, Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Endemias e tripulação), já partiu para para a região da RESEX/Arapiuns, para realizar assistência em 42 comunidades até o dia 21 de outubro, ofertados os serviços de consulta médica, consulta de enfermagem, atendimentos odontológicos, imunização, coleta de PCCU, atendimento dos grupos de HIPERDIA, pré-natal, exames laboratoriais, educação em saúde e todos os programas preconizados pelo ministério da Saúde.

O drama da grande enchente de 2009: onde a ciência se encontra com o discurso popular

19 de outubro de 2011 por Fábio Pena

Eventos naturais extremos, como secas e cheias dos rios, são um dos principais reflexos das mudanças climáticas. Na Amazônia, a enchente de 2009, além de causar prejuízos para populações ribeirinhas, também abalou algumas certezas que tinham sobre o ciclo natural do rio.

Foto: Cabo Riler. Comunidade Taquara, Belterra

Por Fábio Pena

As populações tradicionais da Amazônia, especialmente das comunidades ribeirinhas, são consideradas como “povos das águas”, acostumadas à vivência cotidiana com o rio, que é ao mesmo tempo seu caminho, seu sustento e sua identidade. É assim, numa ilha rodeada pelo rio Amazonas, onde fica a comunidade Valha-me Deus, no Município de Juruti, Oeste do Pará. Lá, 35 famílias vivem relação diária com o grande rio. O Sr. Enéas Bruce da Silva, liderança da Associação Comunitária local, conta que “o rio significa muito na vida da comunidade. A gente vai ali no lago e pega um peixe pra alimentação. O nosso transporte é sempre pela água, a criançada já nasce aprendendo a nadar”.

Essa vida quase de uma liturgia diária com o rio, tem seus ciclos aos quais o povo já se acostumou e para os quais sempre teve explicações, a partir de seus conhecimentos populares. É o caso das enchentes e vazantes dos rios. Na comunidade do Sr. Enéas, assim como na grande maioria das localidades em regiões de várzea, as casas são construídas com um assoalho alto ou palafitas, prevendo o tempo que o rio vai subir.

E como saber o volume das enchentes e vazantes? “Meu avô Manuel Bruce contava uma história que dizia que todo dia 31de dezembro, eles colocavam a água do rio numa garrafa, e quando era dia 1o de janeiro, colocavam a água em outra garrafa e faziam uma pesagem. Se a água de janeiro pesasse mais, era certo que a enchente do novo ano seria maior”, conta o Sr. Enéas com um certo ar de ironia.

Entre mitos e verdades, saberes do senso comum, uma coisa podia ser considerada certeza. Havia sempre um equilíbrio esperado no volume das águas e da seca, o que, por exemplo, fazia com que  as construções das casas seguissem uma certa linha de altura acima do chão.

Mas, em setembro de 2009, quando gravamos esta entrevista, seu Enéas não estava sabendo explicar muito bem por que o rio havia enchido muito mais que o normal, inundando todas as casas da sua comunidade. “Não foi só porque a água de 2008 pesou menos!”, comenta com o mesmo bom humor. “A ilha do Valha-me Deus é uma das ilhas mais altas da região, mas nesse ano, todos os assoalhos foram para o fundo, o que fez com que muitas famílias ficassem desabrigadas. Tivemos muitos prejuízos com a perda de animais, das criações de gado, acabou nosso bananal, o canavial e até um açaizal que tínhamos, a água levou”, explica seu Enéas, agora com a seriedade da situação vivida.

Depois de uma grande seca em 2005, que deixou milhares de comunidades isoladas na região, veio a grande cheia de 2009 que atingiu a marca de 9 metros, o maior índice já documentado, ultrapassando a marcar histórica de 1953. Comunidades inteiras foram alagadas, famílias sem moradia, prejuízos financeiros, problemas de saúde, foram alguns exemplos dos efeitos dessa grande enchente.

Esta situação foi vivida nos diversos rios da nossa região, não apenas nas comunidades de várzea, que estariam mais acostumadas com as enchentes. Desta vez, até a frente da cidade de Santarém e cidades vizinhas ficaram inundadas. Atingiu também as comunidades do Rio Tapajós, onde as habitações em geral não são palafitas. Mesmo estando à margem do rio, sempre havia uma distância considerada inatingível pela água fluvial.

A enchente de 2009 mudou essa certeza para os moradores da comunidade de Porto Novo, no Município de Belterra e para muitas outras às margens do rio Tapajós. Seu José Bento, tinha um mercadinho de frente para o rio. Era o ponto de encontro dos comunitários e turistas que chegavam à vila para apreciar a bela praia da comunidade. Em um vídeo caseiro gravado pelo jovem Ailton Pereira, Josebino mostra o prejuízo do mercadinho que foi destruído junto com sua casa, pela força da água. “A marca da água tá lá no pé daquela árvore. Foi muito grande, foi muito difícil pra quem convive aqui na beira desse rio. O pessoal mais antigo fala que em 53 teve enchente grande, mas não foi que nem essa. Essa foi a maior de todas”.

O Sr. Antônio Soares, da mesma comunidade, conta que no dia três de maio, foi o dia em que houve o maior temporal que assustou os moradores. “Veio uma onda que eu nunca tinha visto, com mais de dois metros de altura que chegava dentro das casas”.

Variações do clima

O que estaria acontecendo com o clima na Amazônia, provocando esses fenômenos extremos. Seu Soares arrisca uma resposta. “Isso é coisa da natureza. Mas a coisa não é mais como era antes, isso é efeito do homem também. A natureza tá dando resposta, que ninguém brinca com ela, que ela vem buscar resposta sim”, comenta o ribeirinho.

Aqui, o saber simples do homem ribeirinho, encontra pontos em comum com estudos científicos sobre o que vem ocorrendo com o clima no planeta. Há cada vez mais conexões, mesmo que ainda não conclusivas, entre estes fenômenos e as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global, no qual a amazônia tem papel destacado.

O relatório “Riscos das Mudanças Climáticas no Brasil, publicado pelo INPE em maio de 2011, aponta que “A Floresta Amazônica desempenha um papel crucial no sistema climático, ajudando a direcionar a circulação atmosférica nos trópicos ao absorver energia e reciclar aproximadamente metade das chuvas que caem nela”. Além disso, o relatório destaca que “a Amazônia pode ser classificada como uma região sob grande risco em virtude das variações e mudanças do clima. O risco não é somente por causa das mudanças climáticas projetadas, mas também pelas interações sinérgicas com outras ameaças existentes, tais como o desmatamento, a fragmentação da floresta e as queimadas…”.

O Relatório do INPE explica que “As enchentes(de 2009) foram o resultado de chuvas extraordinariamente fortes na Região Norte do Brasil e que estiveram, em geral, associadas às temperaturas mais altas que o normal na superfície do mar no Oceano Atlântico Sul tropical, condições quase opostas às observadas durante a seca de 2005”.

A Amazônia está periodicamente sujeita a enchentes e secas, mas estes exemplos demonstram a vulnerabilidade das populações  humanas e dos ecossistemas dos quais elas dependem aos atuais eventos climáticos extremos. Assim, podemos entender que ao mesmo tempo em que a Amazônia é importante para o equilibro climático, pode ser também a parte mais afetada por esse desequilibro.

Os cientistas afirmam que o aumento na intensidade e na frequência dos eventos extremos geram  preocupação.  “Uma grande seca em 2005, outra grande seca em 2010, pulando de um recorde de cheia antes em 2009. A pergunta é: o clima está ficando cada vez mais variável? Não podemos afirmar nada categoricamente, mas chama atenção. Quando a gente olha por registro histórico conhecido da amazônia, desde que existem medidas do Rio amazonas e Negro, não temos nenhuma sequência com tanta variabilidade. Mas isso ainda não nos permite dizer que o clima mudou na Amazônia, nós estamos prestando atenção, pra saber por que que o clima ficou tão variável nos últimos anos. Pode ser um acidente estatístico, ou não, pode ser uma manifestação precursora do tipo de variabilidade climática que a amazônia vai enfrentar no futuro”, disse o cientista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, em palestra realizada  no dia 1o de julho de 2011 em Santarém.

Se para a ciência existem muitas dúvidas, elas também existem para as populações ribeirinhas. “Esperamos que essa seja uma das últimas enchentes, mas ninguém sabe o que vem por ai”, diz seu Antônio Soares. Dúvidas, mas também certezas de quem sofre as consequências das transformações do clima. “Com o tempo, houve uma mudança muito forte. Os verões estão ficando cada vez mais intensos. Com o pouco que água vaza, vai dificultando o transporte, e logo que o rio enche, a égua vem chegando cada vez mais forte. As casas precisam ser sempre mais altas”, comenta a professora Silvielane da Silva, moradora da comunidade de Carapanatuba, várzea de Santarém.

E assim, o “povo das águas” vai levando a vida, esperando que a água, fonte de vida, não se torne sinal de desespero. Seja no Rio Tapajós, como na ilha isolada no meio do Rio Amazonas, enquanto se espera que a ciência possa explicar, resta o sentido que deu nome à comunidade do seu Enéas Bruce, do início da reportagem: Valha-me Deus!

Esta produção é parte da ação do curso de especialização em Jornalismo Científico da UFOPA, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, no período de 17 a 23 de outubro de 2011, com o tema “Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos”.

Campanha apresenta carta no I Fórum da Internet no Brasil

16 de outubro de 2011 por Paulo Lima

Várias entidades participantes da Campanha Banda Larga é um direito seu! participaram do I Fórum da Internet no Brasil, realizado nos dias 13 e 14 de outubro, em São Paulo, por iniciativa do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

As organizações presentes escreveram uma carta com suas principais reivindicações no campo da conectividade. A carta foi lida na plenária final por Adriane Gama, do Coletivo Puraqué, e Renata Mielli, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa ‘Barão de Itararé’.

A urgência de tratar a banda larga como direito da cidadania

A iniciativa do Comitê Gestor da Internet de realizar este I Fórum da Internet no Brasil é um importante marco por ampliar o envolvimento direto dos cidadãos e cidadãs na reflexão dos temas críticos que afetam a expansão e dinâmica de funcionamento da Internet no país. Sua primeira edição conseguiu garantir a diversidade regional e a representação dos diversos setores envolvidos no tema, preservando uma das principais características do CGI.br – sua composição multisetorial –, que o torna referência mundial para a governança da Internet. Antes mesmo do encerramento do Fórum, já é possível manifestar a expectativa de que ele se torne um evento anual.

A realização deste I Fórum acontece em um momento político importante para a banda larga no país. Desde o início do ano, uma série de ações vêm sendo implementadas pelo Governo Federal, em especial pelo Ministério das Comunicações e Anatel, no sentido de ampliar o acesso à Internet. Neste momento, está em pauta a definição de parâmetros de qualidade para os serviços fixo e móvel, que devem ser aprovados até o final de outubro pela Anatel.

Todas essas ações são de fato um avanço em relação à crítica ausência de políticas públicas prevalente até 2010. Contudo, as entidades que fazem parte da Campanha Banda Larga é um direito seu! entendem que as medidas são absolutamente insuficientes para promover a universalização do acesso à banda larga no Brasil. Mais do que isso, veem com bastante preocupação o fato de a universalização não ser posta sequer como um objetivo nas medidas regulatórias e políticas públicas.

É importante lembrar que na I Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, os diversos segmentos presentes aprovaram por consenso que o acesso à Internet deveria ser definido como direito fundamental e que o serviço deveria ser prestado em regime público, o que garantiria metas de universalização e controle de tarifas. Nenhuma dessas duas perspectivas está contemplada nas atuais políticas públicas.

O diagnóstico da Internet no Brasil é dramático. O serviço hoje é caro, lento e para poucos, com penetração residencial de apenas 27%. São especialmente preocupantes as disparidades regionais. Na região Norte, especialmente, o acesso é totalmente restrito, com baixa velocidade e qualidade e com preços exorbitantes. Iniciativas estaduais que poderiam ajudar a mudar esse quadro, como o NavegaPará, retrocederam na qualidade e têm sido relegadas a segundo plano. A falta de competição cria monopólios locais e dificulta ainda mais o desenvolvimento do setor.

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