O tal “mercado”
6 de janeiro de 2009 por Paulo LimaPor Tibério Allogio, publicado originalmente no Blog do Jeso
Na cobertura da economia, a mídia costuma usar a figura do “mercado” como se tratasse de uma especie de entidade abstrata. Algo, ou alguém que, acima de tudo, observa nossos comportamentos, opina, julga, e que, dependendo do humor, acaba quase sempre por nos submeter a um castigo.
Nessa cobertura, os meios de comunicações procuram “publicar a opinião” de um seleto grupo de dinossauros adeptos ao tal mercado, cuja especialidade é ter uma explicação para tudo sem explicar nada, confirmando aquele ditado dos burros: “contra argumentos não há fatos”.
Com afirmações do tipo: “alta dos juros criou euforia no mercado”, ou como: “O mercado reagiu mal à eleição de Lula”, esses “analistas” nos repassam informação diária sobre os quotidianos humores do “oraculo”. Mas sempre procurando ocultar identidade e movimentos especulativos do tal “mercado”, pois se divulga-los seria como admitir que o tal mercado especula e conseqüentemente entregar o jogo e os especuladores.
Muito pelo contrario, por se tratar efetivamente de um cassino, no tal “mercado” todos os jogos são permitidos, e seus ganhadores são saudados pela ousadia ou sagacidade, na qual os fatores éticos não são minimamente considerados.
Esses “gurus”, agora com teorias (?) econômicas enriquecidas com um toque de psicoeconomia, dão explicações “racionais” sobre as causas da crise financeira, tipo a “aversão aos riscos”, “frustração de expectativas” e outras balelas ecopsicóticas.
Nem passa pela cabeça desses “analistas” que nas pessoas normais existe sim a “aversão aos riscos”, enquanto a “atração pelo risco” é tipica dos desequilibrados.
O tal “mercado” montou um enorme Cassino Global, que entrou em colapso pelo excesso de crédito ao mercado imobiliário. A crise foi se agravando pela “síndrome do escorpião”, uma doença que aflige o apostador viciado, e que se manifesta quando os jogadores insistem em especular, mesmo sabendo, que por serem escorpiões irão morrer ao picar o sapo que os carregas nas costas.
Sem considerar esse fator doentio, implícito no apostador contumaz, não é possível entender o que ocorre nas bolsas de valores e no tal “mercado”, ou melhor, no cassino financeiro.
Um artigo publicado no jornal Valor Econômico sob o título “Anatomia do pânico” descreve minuciosamente os ataques especulativos contra o Banco Morgan Stanley, que teriam sido promovidos pelos seus colegas Merril Lynch, Citigroup, Deutsche Bank e o UBS AG. O jogo da especulação era “A bola da vez”.
Depois da quebra do Lehman Brothers o tal “mercado” decretou que o próximo seria o Morgan Stanley (a bola da vez), como forma de pressionar o Governo para angariar um substancial auxílio, que (obviamente) veio a ocorrer.
O Morgan sobreviveu, e aí veio o ataque ao AIG, que também foi socorrido pelo governo. E agora a bola da vez foi o “ataque especulativo” ao Citigroup, mas dessa vez a “sétima cavalaria” do governo chegou a tempo para salvar (ainda que temporariamente) o banco.
Portanto, o tão reverenciado “mercado”, essa entidade sobrenatural, é o próprio sistema financeiro que prospera do subsídio governamental (no Brasil é com a taxa Selic) e cuja maior especialidade consiste na privatização dos lucros e na socialização de suas perdas.
Não se trata mais de teorias(?) econômicas, e nem de nenhuma ortodoxia, econometrias, monetarismo, etc. São apenas interesses econômicos, um jogo de ricos no Cassino Capitalista para fazer girar a roda da fortuna, e não importa às custas do que, e/ou de quem.
Enquanto seus “analistas” vivem defendendo cortes de gastos públicos com previdência, educação, saúde, infra-estrutura, a grande maioria da população, nem desconfia que suas vidas no desemprego, na desigualdade, na pobreza são determinadas pela loucura desse tal “mercado”,
O planeta não é um cassino e nós não somos as fichas que garantem as apostas. Não dá mais para admitir que as crises sejam causadas pelos movimentos artificiais dos especuladores todas as vezes que apostam na roleta.
Hora de voltar ao planeta, tomar conta desse tal ‘mercado” e colocá-lo em seu devido lugar, a serviço da humanidade. Para tanto, nem precisa de uma grande revolução.
Para reformar o sistema financeiro só precisa de bom senso. Para que os bancos voltem à sua atividade fim, ou seja, emprestar o nosso dinheiro para quem esteja realmente precisando. Financiar a produção e o consumo, fomentar o desenvolvimento.
O mundo precisa acabar logo com esse tal “mercado” antes que ele acabe com o mundo.
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* É sociólogo e coordenador de organização comunitária do Projeto Saúde & Alegria.

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