Festival do Cupuaçu em Belterra, apresenta…

19 de abril de 2012 por Nataleuza Sousa

O grupo de teatro de Belterra recebeu o nome “Pé do Curupira” durante as viagens de barco para Suruacá. Em busca de um nome relacionado com nosso lugar, a lenda do Curupira se destacou por ele ser o protetor da floresta, e da mesma forma objetivamos proteger nossa cultura através da arte.
No dia 21 de abril, próximo sábado, será a estreia do grupo em Belterra, no Festival do Cupuaçu, com uma peça adaptada para o evento que foi inspirada na obra “Chico Mendes e o Encantado”, de Ana Vitória Vieira Monteiro.
Conheçam agora “CURUPIRAÇU”

Oficina Grupo Pé do Curupira

No Leia Mais o Texto escrito por Miriam Lane

PRIMEIRO ATO
APRESENTADOR
Essa história aconteceu na floresta e não é história de pescador.
É de verdade verdadeira, dessas de arrepiar. Quem quiser acreditar, acredita.
Quem quiser duvidar, duvida né? Vou contar.
Na Floresta Nacional do Tapajós, aqui em Belterra, junto ao som dos animais, do rio e igarapés ecoa um grito de um homem. Era o grito do seu Sabiá.

SEU SABIÁ – Curupiraaaaaaaaa, até quando?….. até quando vou andar sem te encontrar?!!!!!!
(Curupira que estava à sombra da samaumeira que ele mesmo viu crescer, pula assustado, pois não é comum o chamarem assim, o grito se repete, mas agora mais perto. Curupira respondeu com um forte assobio e tudo na mata silencia. Até o grito de quem o chamou! )

SEU SABIÁ – Meu caboclinho onde está você? Curupiraaaaa
(Dançando em seus movimentos faz barulho andando com os pés voltados para traz quando quer andar para frente, peludo, assustador, mas seu Sabiá não se assusta não.)

SEU SABIÁ – Eu sei que está aqui, eu sei, vim pedir sua proteção. Na floresta que ando, nem flor tem tempo de crescer. A seringueira morre pequena. A borracha está acabando, mas ainda tem cupuaçu pra vender.

CURUPIRA – Quem é você homem?

SEU SABIÁ – Sou morador de Belterra, fui seringueiro, nasci no Porto Novo, que de novo só tem o nome, porque foi criado no tempo da Companhia Ford há mais de 70 anos, mas quero te perguntar uma coisa. Curupira venha cá. Como isso tudo vai ficar? A floresta vai acabar? Teu reinado tá ameaçado, hein. Todos os dias tem dominó de árvores. Fumaça que vejo no céu e quem reclama disso tudo corre perigo.

CURUPIRA – Corre perigo por que?

SEU SABIÁ – Ora, eu por exemplo discuto com quem agride o meio ambiente e ficam zangados comigo.

CORO – Madeiraaaaaaaaaaaaa
(Curupira se agita e quando sua voz sai tudo silencia)

CURUPIRA – Quem derrubar uma árvore ou matar um bicho sem precisão, vai se perder na mata!! Irão rodar no mesmo lugar e ficarão perdidos!! Quem acaba com a mata, acaba com a própria vida!!

SEU SABIÁ – Tua lei é dura, mas mesmo assim não mudarão.

CURUPIRA – To ouvindo, estou te ouvindo… No meu caminhar, vou olhar tudo, vou ficar atento.

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SEGUNDO ATO
APRESENTADOR
O seu Sabiá é um contador de histórias, e muitas histórias contou para as pessoas que ele encontrou.

MENINA – Oi seu Sabiá! Me conte sobre o caboclinho da floresta. Conte uma história que hoje é dia de festa.
SEU SABIÁ – Pois é. Ele existe de verdade. Ainda ontem falei com ele.
MENINA – É? Já viu mesmo o Curupira?
SEU SABIÁ – Já vi sim.
MENINA – Que jeito ele é?
SEU SABIÁ – Verde, verdinho, verdinho, igual uma folha de bananeira.
MENINA – Minha nossa!
SEU SABIÁ – Ta com medo?
MENINA – Fiquei com medo sim.
SEU SABIÁ – Então não conto não.
MENINA – Conta, conta sim. Conta que eu aguento.
SEU SABIÁ – Assim que eu gosto de ver.
MENINA – Conta logo padrinho!
SEU SABIÁ – To falando aqui e olhando ele ali. (aponta para o público)
MENINA – Aonde?
SEU SABIÁ – Ali mesmo, agora correu pra lá. Quando você for maior vai ver, mas pra isso tem que tomar muito suco de cupuaçu!
MENINA – Cupuaçu é bom demais. Mamãe faz suco, doce, misturo com farinha. Se depender da energia do cupu então eu to mais que preparada. Fala logo padrinho. Não enrola.
SEU SABIÁ – Ele é grande, tem pelo, e anda para trás quando quer falar contigo.
MENINA – Já viu o curupira mesmo?
SEU SABIÁ – Já! Já vi sim. Ele vive no meio da floresta. Esta lá para proteger, mas só quem merecer. Sua lei é implacável. Quem derruba árvore ou mata bicho sem comer, ele condena.
MENINA – Hum… Eu já vou. Tenho que caminhar muito pra chegar em casa. Obrigada pela história que me contou!
SEU SABIÁ – Não vá parar querendo cheirar flor, se não Curupira vai te ver distraída e irá se perder na mata.
MENINA – Que nem o padrinho? (pergunta de longe)
SEU SABIÁ – Eu nunca me perdi! Apesar de ficar alucinado com o perfume das flores na floresta. (fica pensativo)
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TERCEIRO ATO
(O curupira entra em cena enquanto seu Sabiá observa quieto um cupuaçu)

SEU SABIÁ – É curupira… A floresta continua mudando e o cupuaçu ainda continua cheirando. Todos aqui estão se deliciando com essa fruta.

(O Curupira pega o cupuaçu da mão do seu Sabiá, levanta como um troféu fica girando e depois congela)
CURUPIRA – Cupuaçuuuuuuuuuuu Cupuaçuuuuuuuuuuu

APRESENTADOR – Nossa Belterra tem muitas frutas, podemos fazer muitos festivais. Hoje é a vez do Cupuaçu (mostra a fruta na mão do Curupira), fruta que estrangeiros patentearam, mas foi reconhecida como nossa, como uma legítima fruta brasileira!

CORO – Quem é da floresta, preserva! Quem vive do que tem na floresta, PRESERVA!

CURUPIRA – Curupiraçú!!
- F I M -
Merda ao grupo Pé do Curupira!

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