Não foi dessa vez, mas o Pantera saiu com dignidade da Copa do Brasil
12 de março de 2010 por Fábio PenaFoto: André Pamplona
São Raimundo estaria classificado caso não tivesse perdido pontos da primeira partida em que venceu o Botafogo
E os torcedores e repórteres da Rede Mocoronga que acompanharam o jogo no Rio, viveram momentos de muita emoção.
Depois de jogar no Colosso do Tapajós em fevereiro contra o Botafogo do Rio de Janeiro, quando venceu por 01 a zero, o São Raimundo, o Pantera Santareno, tinha boas chances de ser classificado para continuar na Copa do Brasil. Mas enquanto a torcida santarena comemorava, não sabia que tinha gente jogando contra mesmo antes do jogo começar. O representante, belenense, da Federação Paraense de Futebol, não informou à CBF a lista atualizada com três jogares escalados para a partida. Com isso, o São Raimundo, mesmo não sendo retirado da competição, perdia pontos que lhe dariam vantagem no jogo ocorrido ontem no Rio de Janeiro.
Mas o time do São Raimundo e sua torcida, continuavam firmes e esperançosos, apesar das adversidades, que não eram poucas. Iriam enfrentar na casa do adversário, o tradicional time carioca do Botafogo, que apesar de não estar numa boa fase, tratava-se de uma equipe profissional, a começar pela diferença de orçamento e condições de treinamento. O treinador do Botafogo, Joel Santana, declarava que teria que enfrentar o “time chato” do São Raimundo, e boa parte da imprensa nacional já dava o Botafogo como classificado.
Quinta-feira, 11 de março. Santarém parou para assistir, e a maioria para ouvir, através da Rádio Rural de Santarém, o jogo entre São Raimundo e Botafogo, no Engenhão, Rio de Janeiro. O jogo não foi tranquilo para o Botafogo como esperavam, pois venceu por 04 a 03, mas foi vaiado pela torcida. Apesar dos gols de Branco, Michel e Ítalo pelo Pantera, Loco Abreu (2), Danny Moraes e Sandro Silva fizeram para o Bota.
Veja aqui mais detalhes do jogo:
Torcida Mocoronga fez barulho no Engenhão
Uma delegação organizada pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) com apoio da Vivo, viajou para o Rio de Janeiro, aproveitando para divulgar seus projetos sociais e acompanhar o jogo.
Acompanhados do Dr Eugênio Scannavino, fundador do PSA, os jovens Meriane Almeida, 16 anos e Gabriel Coêlho, 15, proferiram palestra para funcionários da Vivo do Rio, demonstrando como é feito o trabalho de inclusão digital que a empresa apoio no Município de Belterra, vizinho de Santarém. O jornalista Jeso Carneiro, também foi convidado para acompanhar a delegação (veja a cobertura no Blog do Jeso).
Falar da Amazônia e suas comunidades, serviu de aquecimento para torcer à noite pelo Pantera. Saiba mais como a torcida mocoronga animou o Engenhão na matéria publicada no Liberal, por Alan Bodallo.
Todo santo tem os seus apóstolos e os do São Raimundo mostraram fidelidade ontem. Tanto na hora de comparecer ao jogo no Rio de Janeiro quanto para incentivar “pagãos” a se juntar à paixão. No Engenhão, até os torcedores do Botafogo, em número pequeno se comparado à capacidade do estádio, se espantaram com a presença de tantos torcedores do Pantera, todos crentes no milagre de reverter a punição recebida pelo STJD. A ONG Saúde e Alegria, sediada em Santarém, teve seu papel na hora de agregar os alvinegros mocorongos. Com a parceria com a empresa Vivo, que cedeu ingressos, angariou cariocas, na maioria “secadores”, para torcer pela equipe paraense por uma justa causa: chamar a atenção para a necessidade de preservação da Amazônia.
O fanatismo desconhece limites e fronteiras, sejam elas estaduais ou regionais. É o que comprova Sérgio Damasceno Marcelino, representante dos “Loucos Alvinegros”, de Santarém, no Rio de Janeiro. Ele conta que enfrentou mais de dez horas de vôo para chegar à capital carioca, exclusivamente para ver o Pantera jogar. “Vale tudo pelo São Raimundo, até perder aula, dias de trabalho. Fiquei surpreso de encontrar tanta gente no estádio”, confessa ele, que também arrisca seu palpite. “Um a zero já está de bom tamanho”.
Entre os “secadores” estava o estudante de economia Tiê. Ele conta que foi convidado por um amigo para vir ao jogo e azucrinar os botafoguenses. “Vim para curtir e apoiar o Pantera aqui no Engenhão”, conta ele, que é torcedor do Vasco. O estudante, que trouxe um cartaz alusivo à Amazônia, conta que, brincadeiras à parte, sabe da importância de levantar o tema. “Claro que esse é um tema que tem que ser abordado. Gosto da Copa do Brasil por causa disso. São clubes de lados opostos do País, uma miscelânea”.
Até botafoguense estava infiltrado na torcida do alvinegro santareno. Caso do fotógrafo André Pamplona. Ele foi alvo da “preleção” do presidente da ONG Saúde e Alegria, Eugênio Scannavino, que o falou sobre a campanha pró-Amazônia que aconteceria no jogo. A galera abriu uma faixa com os dizeres “nós amamos a Amazônia”. Antes irredutível, André acabou cedendo. “Se é para vocês ficarem felizes, eu torço pela Amazônia”, disse. Sincero mesmo foi Gabriel Coelho, que, ao entrar na van que o levaria ao estádio e jurar amor ao São Raimundo, confessou: “Já estou com um frio na barriga”.