Encontro de Conhecimentos Livres encerra com a criação do Fórum Amazônico de Cultura Digital
6 de novembro de 2009 por Fabio Pena
Terminou hoje o I Encontro de Conhecimento Livres promovido pelo Pontão de Cultura Digital do Tapajós. Desde a última quarta-feira, dia 04/11 cerca de 50 pessoas entre ativistas do software livre, monitores de telecentros comunitários, lideranças, educadores, comunicadores populares e gestores de projetos sociais representantes de Pontos e Pontões de Cultura, Telecentros, Infocentros e Casa Brasil de Santarém estiveram reunidos. Companheiros e companheiras de Roraima, Amapá, Amazonas e de várias partes do Pará participaram deste I Encontro.
O Pontão de Cultura Digital do Tapajós está voltado para promover a cultura digital e a articulação entre pontos de cultura da região e é realizado pelo Projeto Saúde e Alegria e Projeto Puraqué com o apoio do Ministério da Cultura/ Programa Cultura Viva, Governo do Estado/ Navegapará e Prefeitura Municipal de Santarém.

A programação esteve recheada de trocas de experiências, oficinas de audio, vídeo, metareciclagem, gráfico, blog e debates sobre como fortalecer a cultura digital na região, além do ato inaugural do laboratório multimídia do Pontão. Um dos principais resultados do evento, foi a criação do Fórum Amazônico de Cultura Digital, dando o início a um processo de articulação permanente com o uso das ferramentas da internet para discussões sobre políticas públicas, projetos, desafios e trocas de experiências, além da preparação de novos encontros de integração.
Em linhas gerais, o fórum quer criar um espaço aberto de discussão que consiga dar visibilidade às questões peculiares sobre como fazer cultura digital na Amazônia, seja através das experiências já existentes, como também discutindo o desafio de fomentar novas iniciativas.
Abaixo a Carta de Santarém, do Fórum Amazônico de Cultura Digital, aprovada durante o encontro, reúne algumas desses princípios. Foi definida a utilização como ferramenta de articulação a rede social do Cultura Digital do Ministério da Cultura e da Rede Nacional de Pesquisa, que você pode acessar em http://culturadigital.br Participe! Se inscreva e dê o seu recado!
Abaixo a íntegra da Carta que pedimos ampla divulgação:
Carta de Santarém – Fórum Amazônico de Cultura Digital
Os Pontos e Pontões de Cultura, Telecentros, Infocentros, Casa Brasil e núcleo de informática educativa, reunidos no I Encontro de Conhecimentos Livres no Pontão de Cultura Digital do Tapajós, em Santarém, nos dias 4 a 6 de novembro de 2009, tem por consenso, as seguintes propostas para a implementação de uma política pública de incentivo às ações de cultura digital na Amazônia.
Considerando que a Cultura digital é um conceito novo e que parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O impacto que ressaltamos é que a tecnologia digital muda os comportamentos e que o uso pleno da internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento.
A cultura digital maximiza os potenciais dos bens e serviços culturais, amplifica os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializam também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte.
A Amazônia, contudo, merece uma atenção diferenciada, do porte das suas dimensões e do investimento necessário para incluir sua população, hoje em grande déficit de políticas de fomento a cultura digital. Para mitigar e iniciar um processo de transformação em nossa região é preciso:
1.Que se amplie e dissemine o debate com toda sociedade civil visando construir consenso para avançar na implementação de marcos regulatórios e de políticas públicas que assegurem a sustentabilidade e permanência de iniciativas de cultura digital. Isso vai superar os obstáculos que se interpõem num contexto de descontinuidades geradas pelas mudanças de gestão;
2.Que os diversos programas sociais e políticas públicas, voltados para assistência social, criança e adolescente, inserção produtiva, educação de jovens e adultos tenham como um de seus componentes as ações de cultura digital;
3.Uma política pública que assegure a qualidade da banda de internet disponível e estimule a redução significativa dos preços de conexão à Internet, tanto para o usuário final como para os provedores locais de serviços de Internet;
4.Assegurar recursos públicos e um marco legal habilitador para a implementação de estratégias de municípios digitais que contemplem projetos de cultura digital públicos e gratuitos como redes de conexão à internet comunitárias, telecentros comunitários e conexões compartilhadas;
5.Que se assegure iguais oportunidades de acesso aos pontos de presença das espinhas dorsais em cada município, tanto para provedores de serviços locais como para iniciativas de inclusão e cultura digital, bem como garantia legal que esses pontos de cultura, telecentros e infocentros, tenham banda de alta disponibilidade à medida que expandam sua utilização no município;
6.Que as iniciativas de cultura digital se aliem a um verdadeiro processo de democratização dos meios de comunicação, reconhecendo e incrementando as rádios comunitárias;
7.Que as iniciativas de cultura digital assegurem uma gestão participativa das comunidades onde estão localizadas e que este seja um critério preponderante nos editais públicos;
8.Fortalecer e incentivar iniciativas de cultura digital que promovam as línguas, os dialetos, as identidades culturais, regionais e étnicas;
9.Que os ambientes de cultura digital estejam de acordo com a legislação vigente no país e acordos internacionais que tratam a questão da acessibilidade, garantindo às pessoas com deficiência o acesso aos bens e serviços públicos;
10.Implementar ações eficazes junto aos pontos de cultura, telecentros e infocentros, trabalhando de forma crítica e construtiva o tema da conscientização socioambiental;
11.Incentivo a iniciativas de cultura digital relacionadas à formação, produção e compartilhamento de informação, conteúdo e de conhecimento;
12.Que as políticas públicas de cultura digital incluam as questões de gênero, raça, LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), os povos indígenas, quilombolas, áreas de preservação ambiental, assentamentos rurais, associações de bairros e as comunidades de pescadores;
13.Que os projetos de cultura digital e programas de expansão de conectividade e infraestrutura lógica fomentados pela esfera pública cheguem às regiões remotas e isoladas, bem como localidades de baixa densidade populacional;
Por fim, nos dispomos a articular/construir o Fórum Amazônico de Cultura Digital, constituído por todos os atores sociais que atuem na área e que desejem integrar esse espaço aberto, democrático e de inclusão, procurando ampliar nossa rede aos países e comunidades no âmbito do Tratado de Cooperação Pan-Amazônico.
Santarém, 06 de novembro de 2009

Ótima iniciativa de projetos importantes, o informatizado acredita e apoia a idéia, vamos divulgar……
[...] Encontro de Conhecimentos Livres encerra com a criação do Fórum Amazônico de Cultura Digital Blog: Rede Mocoronga – 06/11/2009 http://redemocoronga.org.br/2009/11/06/encontro-de-conhecimentos-livres-termina-com-a-criacao-do-for... [...]
Gostaria de saber como faço para integrar na equipedo projeto.
desde já
grato pela atenção