Inclusão Digital: balanço e perspectivas após a 7ª Oficina Nacional de Inclusão Digital

8 de novembro de 2008 por Fábio Pena

Suruacá, Aruã, Muratuba, Piquiatuba, Boim, Mapiri. Cerca de 40 jovens e ativistas de projetos de inclusão digital das comunidades ribeirinhas e da cidade de Santarém e Belterra estiveram na capital do Estado do Pará, Belém, para participar da 7ª Oficina Nacional de Inclusão Digital em sua primeira edição na região norte do país.

O grande evento que debateu os avanços e os desafios da inclusão digital no Brasil, seja no contexto dos projetos governamentais como dos movimentos da sociedade civil, reuniu mais de 3 mil pessoas nos dias 05 a 07 deste mês no centro de convenções Hangar. Os chamados telecentristas, como estão sendo chamados os monitores, coordenadores e gestores de projetos de inclusão digital, comporam uma grande diversidade social e cultural, uma vez que pela primeira vez a oficina teve representantes de todos os estados do país.

Mas a diversidade não estava somente na origem e nas regiões de onde vieram os participantes, estava também nas mais diversas iniciativas de uso da tecnologia para o desenvolvimento humano. E neste sentido, a presença dos projetos de inclusão digital que vem acontecendo em nossa região, ajudaram a moldar a oficina com esses dois aspectos.

A apresentação da Rede Mocoronga como caso de sucesso, com a implantação de telecentros nas comunidades ribeirinhas, com todas as peculiaridades e inovações criadas, demonstrou a viabilidade e os aspectos tecnológicos e pedagógicos que devem ser considerados para uma política de inclusão digital que envolva as comunidades da zona rural da Amazônia. A Mocoronga já dispõe de 06 telecentros e está em fase de implantação de mais 05 até final de 2009 e tem planos ousados de expansão da rede para mais comunidades da zona rural.

A presença do Projeto Puraqué, grupo de ativistas da inclusão digital e do software livre, apresentando a experiência realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Santarém com a capacitação de professores no uso pedagógico das TICs para que percam o “medo” da tecnologia e passem a utilizá-la a seu favor no processo pedagógico, também mostrou criatividade, ousadia e grande potencial de multiplicação. Atualmente 12 escolas, 40 professores e mais de mil alunos já foram beneficiados com atividades de cultura digital nos laboratórios das escolas municipais.

O potencial de convergência entre essas inovadoras iniciativas já vem sendo trabalhado há um bom tempo. O projeto Saúde & Alegria, com a Rede Mocoronga, e o Projeto Puraqué estão juntos no processo de implantação do Pontão de Cultura Digital do Tapajós, projeto apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Prefeitura de Santarém, para criar um centro de articulação, formação e promoção da inclusão digital e do uso do software livre na região, apoiando outros grupos e iniciativas de inclusão digital e os pontos de cultura da região.

Um dos maiores desafios para que essas experiências ganhem escala, ampliem seu alcance nas comunidades locais é a conectividade. Os serviços locais de conexão à internet são precários e sem conexão a inclusão digital vai andar a  “passos lentos”.

Na oficina de Belém, os problemas, os desafios e os projetos em andamento encontraram espaço propício para exposição e diálogo. A apresentação dos planos do governo do estado com o Projeto Navegapará, que vai conectar com internet banda larga diversos municípios do Estado, tem Santarém como um dos pólos prioritários. O trabalho já começou e segundo a previsão dos coordenadores do projeto, entre os meses de janeiro e fevereiro, Santarém já estará com banda larga do Navegapará.

Esta iniciativa representará um avanço substancial para a inclusão digital em nossa região. Num primeiro momento estão previstos a conexão de órgãos públicos, escolas e também organizações da sociedade civil onde o Governo do Estado já instalou também 10 infocentros.

As discussões que já vinham em andamento entre o projeto da Rede Mocoronga, Projeto Puraqué, Pontão de Cultura Digital do Tapajós, Navegapará, infocentros e demais iniciativas ganhou fôlego durante a oficina, sendo que temos um cenário bastante favorável para avançar e ganhar escola na inclusão digital em nossa região.

Comum em todas essas articulações e projetos em andamento está a crença na inclusão digital como fator determinante para o desenvolvimento regional sustentável, a partir de uma nova matriz que entende a apropriação das novas tecnologias como grande potencial onde a informação e o conhecimento passam a ser a matéria prima.

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