Jovens Empreendedores do Tapajós em contato com as ferramentas tecnológicas

5 de setembro de 2014 por Lilian Campelo

 

III módulo do curso é realizado na UFOPA

III módulo do curso é realizado na UFOPA

Tecnologia e informação. Instrumentos que fazem parte da inovação, e para o Curso Jovens Empreendedores do Tapajós, inovar é empreender.

Os 25 alunos das comunidades da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns iniciaram ontem (4) o III Módulo, até este sábado, dia 6, eles irão se encontrar no laboratório de informática da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

A oficina está sendo ministrada pelo Professor e Mestre Enoque Alves e resume que tecnologia e inovação caminham juntas. “Os avanços da tecnologia provocam grande impacto na sociedade. Pelo lado positivo, a tecnologia resulta em inovações, que proporcionam melhor nível de vida ao homem”,

Adriana Dalbert, colaborada do Projeto Saúde & Alegria, explica que o III módulo visa, “aproximar os jovens das ferramentas tecnológicas, bem como mostrar de que maneira eles podem utilizá-las como parte da sua ideia de negócio social”.

O curso é dividido em dez módulos durante seis meses e conta com a parceria da Fundação Telefônica.

Geração Y?

Roniellen Batista da Silva, 17 anos, de Parauá-Mangal, teve contato com a internet na cidade de Santarém

Roniellen da Silva, 17 anos, de Parauá-Mangal, teve contato com a internet em Santarém

Com tablets nas mãos, eles passeiam pelos aplicativos que a grande rede oferece. Muitos deles já tiveram contato com as redes sociais, mas navegar pela Internet ainda não é um acesso democrático quando se trata da realidade amazônica, como é o caso das Comunidades de Mangal onde mora Roniellen Batista da Silva, 17 anos. “Na comunidade não pega Internet, pega, mas em alguns lugares e próximo da beira do rio. Eu tive contato mesmo aqui na cidade (Santarém)”.

Assim como Roniellen, a maioria dos jovens da Resex nasceu entre meados da década de 90, o que poderia identificá-los como sendo da geração Y, também chamada de geração da Internet. Essa geração já veio ao mundo conectado pelo chip, fibra ótica, cultura pop, redes sociais, familiarizados com os dispositivos móveis e a comunicação em tempo real, fruto do desenvolvimento tecnológico.

Contudo, os jovens da Resex nasceram na era do tudo ao mesmo tempo e agora, mas não são atingidos pela tecnologia, somente agora passeiam com mais frequencia por ela. A história do acesso à Internet nas comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns explica o contato que a juventude tem hoje com a era da informação. 

Em muitas comunidades a Internet foi instalada através da tecnologia 3G por meio da Estação Rádio Base da Vivo em Suruacá, fruto de parceria com o Projeto Saúde & Alegria, e em outras com a construção de Telecentros. Em meio ao debate que é travado em âmbito nacional pela democratização dos meios de comunicação, a região amazônica continua esperando – à margem dos seus rios – uma melhor conexão com as políticas públicas, ou melhor, que elas sejam elaboradas levando em consideração as peculiaridades que cercam a região.

O próximo módulo (IV) será entre os dias 18 a 20 de setembro e irá abordar sobre Ferramentas de Gestão ministrado pela colaboradora Adriana Dalbert.

Para saber como foi o II módulo…

Ideação

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II módulo do Curso Jovens Empreendedores do Tapajós

Recentemente, entre os dias 28 a 30 de agosto, os jovens participaram do II módulo que abordou sobre Ideação, ministrado pelo facilitador Jotta Neto, representante do grupo Vindi – Ideias e Inovação.

A proposta da II fase do curso foi incentivar a geração de ideias, que podem ou não resultar em produtos ou serviços. Ele esclarece que no caso do curso, o foco é incentivá-los a terem ideias criativas para a solução dos problemas identificados por eles em suas comunidades e informa como se dá o processo. “Então pra isso se parte de uma identificação e análise de problemas utilizando metodologias consagradas como brainstorming (tempestade de ideias que visa explorar e potencializar a capacidade criativa de um grupo), mapa de empatia, prototipagem de ideais. A partir disso, nós conseguimos criar uma espécie de trajeto, uma espécie de fluxo: Eu identifico o problema, eu analiso e passo a ter ideias condizentes com magnitude dos desafios”.

Em um mesmo objeto pode surgir várias ideias

Em um mesmo objeto pode surgir várias ideias

Este não é o primeiro trabalho que ele [Jotta Neto] realiza com a juventude, e devido isso ele pontuou que os jovens de hoje têm uma enorme vontade de se encontrar, mas observou que os jovens da Resex possuem uma identidade própria e isso facilitou o trabalho. “Foi muito legal o fato deles serem de comunidade, porque eles enxergam isso, e isso é a motivação deles, então estou tentando aqui empoderá-los com o título de agentes de mudanças e saírem daqui não somente instrumentalizados, mas inspirados”.

Darlienne Lemos de 14 anos da Comunidade de Parauá resume de que maneira o curso está contribuindo com o aprendizado dela. “No I módulo foi bom porque fez com que a gente se conhecesse mais a partir de um olhar pra si mesmo, descobrindo o que somos capazes de fazer e isso contribuiu com a interação com as pessoas e favoreceu a nossa comunicação com os outros. No II o que me chamou atenção foi que a gente está fazendo atividades voltadas ao nosso dia a dia na comunidade”.

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