14º Edição da Teia Cabocla começa hoje

25 de março de 2015 por Lilian Campelo
11079650_10204244400046960_5082330166494850544_n

Foto de divulgação

Com o intuito de promover o encontro de várias iniciativas que estão sendo realizadas nas comunidades ribeirinhas pelos jovens com o apoio do Saúde e Alegria, de hoje até sábado ocorre a 14ª edição da Teia Cabocla. O evento será realizado na Chácara A&C no Mararú, na cidade de Santarém.

O Festival de Iniciativas Jovens da Floresta, assim denominado o tema deste ano, reunirá lideranças juvenis da Flona do Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns. A expectativa é que cerca de 80 jovens de 44 comunidades estejam participando da Teia.

O evento irá agregar jovens que estão envolvidos nas diversas iniciativas empreendidas pelo Saúde e Alegria, além de grupos já existentes nas comunidades como os grupos de jovens e rádios comunitárias.

A proposta da Teia Cabocla, desde a primeira edição, é fortalecer os jovens das comunidades a partir do intercâmbio das experiências e o reconhecimento do seu território.

Projeto Territórios de Aprendizagem lança Guia Pedagógico

27 de fevereiro de 2015 por Fábio Pena

fotoFoi lançado hoje, 27/02, na Escola do Parque da Cidade em Santarém, o Guia Pedagógico do Projeto Territórios de Aprendizagem, que busca valorizar os saberes e conhecimentos das comunidades tradicionais no currículo escolar visando melhorar a qualidade do ensino.

O Projeto Territórios de Aprendizagem é fruto da parceria entre o Projeto Saúde e Alegria – PSA e a Secretaria Municipal de Educação de Santarém com apoio do Programa Norte de Saberes da Fundação Carlos Chagas e Fundo Vale. Surgiu em 2012 com o intuito de trazer referências pedagógicas que possam contribuir com a melhoria da qualidade da educação no contexto amazônico. O programa compreende a escola a partir do conceito de território – espaço marcado não apenas pelas características geográficas, como também pelas relações humanas – auxiliando os sujeitos na compreensão de sua realidade, para que se tornem cidadãos mais críticos e reflexivos e que possam assim agir sobre ela.

O projeto se propôs a ajudar no fortalecimento da função social das escolas especialmente no território da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex), o qual demanda processos educativos capazes de fortalecer o senso de territorialidade de sua população, especialmente das novas gerações.

Em seu primeiro ciclo de atuação, foram selecionadas quatro escolas na Resex, e um núcleo no planalto Santareno, para uma experiência piloto: no Eixo Forte, a Escola municipal de tempo integral Irmã Dorothi, da comunidade do Caranazal; e na Resex – Escola Nossa Senhora de Fátima, da comunidade do Anã; a Escola João Franco Sarmento, da comunidade Suruacá; a Escola São Pedro, da comunidade São Pedro; a Escola St. Ingnácio de Loyola, da comunidade de Boim.

Adotou-se como principal objetivo colaborar para a redução do espaço entre o ensino formal e a realidade sociocultural e ambiental dos alunos, possibilitando a construção de uma aprendizagem significativa que resulte na melhoria dos indicadores de sucesso escolar.
Os professores e gestores destas escolas participaram de diversas oficinas, nas quais tiveram contato com novas referências conceituais sobre educação do campo, educação ambiental, territorialidade, e sobre metodologias a serem utilizadas nas escolas.

O saber comunitário dando sabor à escola

As escolas participantes mobilizaram as comunidades num processo de mapeamento participativo de seu território, e dos conhecimentos e saberes tradicionais da população local.  Deste forma, os alunos com apoio de professores e pedagogos do projeto, percorreram as comunidades identificando elementos expressivos, levantando o perfil social, econômico e ambiental a partir de sua própria sua visão infanto-juvenil.

IMG_2224Os mapas elaborados contemplaram aspectos como a cartografia da comunidade em si – com as especificações territoriais, geográficas; a biodiversidade – identificando a fauna, flora, pesca, coleta, extrativismo.  Os alunos foram motivados também a pesquisarem sobre o conhecimento tradicional, os saberes populares, os mitos e lendas, a história local e regional, a culinária local, manifestações culturais coletivas, brincadeiras infantis, além de valorizar os talentos locais, como músicos, poetas, artesãos. O trabalho realizado construiu-se num rico banco de conhecimentos amazônicos que foram sistematizados e que agora estão disponíveis no Guia de Apoio Pedagógico do Projeto.

CapaGuiaO Guia resume o passo a passo percorrido pelo projeto até o momento, com suas metodologias e atividades para que outras escolas possam experimentar, e também apresenta dicas pedagógicas sobre como unir esses saberes aos conteúdos escolares, do 1o ao 6o ano do ensino fundamental. “Partimos da idéia de que a criança pode aprender melhor quando o ensino contempla suas formas de viver na comunidade, quando o professor passa a utilizar elementos simbólicos e materiais que a criança domina para que o conteúdo das disciplinas ganhe significados para a criança”, explica Fábio Pena, coordenador do projeto.

No evento de lançamento do Guia, os professores e diretores das escolas participantes comemoraram mais um passo alcançado. “Esse Guia será de grande importância para o enriquecimento do nosso conteúdo programático. Nossa escola dá muita importância para os conhecimentos locais mas ainda hoje os livros que são oferecidos para nossas escolas,  retratam realidades distantes da nossa, então isso dificulta o entendimento da criança. Com esse guia pedagógico, que é feito de dentro dessa nossa realidade, vai facilitar bastante trazendo mais motivação para a aprendizagem”, comenta a Diretora da Escola Nossa Senhora de Fátima, da comunidade do Anã, Renata Godinho.

A professora Eliana Amorim que leciona língua portuguesa aos alunos do 5o ano do Ensino Fundamental na mesma escola, também acredita que o Guia “só vai somar ao que a gente já vinha desenvolvendo com as primeiras experiência do projeto na escola. Buscamos sempre introduzir a pesquisa como parte  do processo pedagógico, levando os alunos a conhecerem mais a fundo a comunidade. E com esse guia vamos aprimorar mais o nosso trabalho e fazer com que os alunos tenham um maior desenvolvimento nos estudos”.

Já o coordenador das escolas da região de rios, da SEMED, João Magalhães, disse que “trata-se de um material muito bom que vai motivar os professores e alunos, principalmente por ele ter sido construído pelas próprias comunidades, retratando a vivência, a cultura dessas comunidades”, avalia.

No evento de lançamento também foram anunciados os próximos passos do projeto. “Após este lançamento é que temos um longo trabalho pela frente. Vamos incentivar o uso do material nas escolas e avaliar os resultados para ir cada vez mais melhorando a proposta pedagógica”, explicou Davirley Sampaio, coordenador de Educação Ambiental da SEMED.

“Nosso interesse é contribuir com experiências como essa para ajudar as políticas públicas no grande desafio que é promover a melhoria da educação nas comunidade rurais. Esperamos que esta se torne uma experiência consolidada para que depois possa ser expandida para mais escolas pela rede de ensino” , afirmou o coordenador do PSA, Caetano Scannavino.

As dificuldades do Ensino Médio

8 de julho de 2014 por Elis Lucien

Jornal Comunitário Folha de Samaúma, Reportagem: Pedro Nunes

Por: Walter Oliveira

Os alunos da rede Estadual de Ensino ou Ensino Médio que estudam na comunidade de Cametá município de Aveiro, têm muitas dificuldades com relação ao transporte, merenda e principalmente a turma 3º ano que não tem sala de aula adequada, estuda em uma sala improvisada cercada com pedaços de ripas e lonas para evitar a desconcentração dos alunos nas aulas.

Para alguns alunos isso dificulta mais o aprendizado e outros preferem desistir dos seus estudos.

Capa do jornal Folha de Samaúma

Capa do jornal Folha de Samaúma

Para os alunos de Samaúma que estudam na escola Prof.ª Olgarice anexa ao Eduardo Angelim de Aveiro as dificuldades são ainda maiores porque eles tem que tá as 06:00hrs da manhã isso quando o barco vai levar e quando não a dificuldade é ainda maior pois eles tem que comprar gasolina para irem de bajara.

E aonde está a educação de qualidade, que o governo tanto promete é estudando de baixo de árvores?

Só lembrando, que o barco não é para levar o os alunos do Ensino Médio e sim do Fundamental.

Encontro reúne PSA com o Conselhos Infanto-Juvenis de Belterra

8 de julho de 2014 por Adriane Gama

cons_tutelar_beltPela manhã do dia 25 de junho, em Belterra, município vizinho de Santarém, aconteceu uma reunião entre o Projeto Saúde e Alegria – PSA, Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA e Conselho Tutelar. Estiveram ainda presentes, representantes do Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS, Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, Prefeitura de Belterra e Associação Comunitária de Aramanaí – ASCA.

O objetivo do encontro foi articular uma parceria intermunicipal entre a região de Santarém e Belterra, visando ativar o programa Projeto Adolescentes Comunicadores pela Cidadania na Amazônia do PSA, com apoio da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), baseado nas competências da vida como: auto estima, valorização da sua identidade e do seu corpo, aprender a conviver em grupo, conhecer seus próprios direitos, formando assim, grupos coletivos de jovens educadores populares, com planos de ação voltados para escolas e comunidades.

O coordenador de educação Fábio Pena e sua equipe de arte-educadoras do PSA, Adriane Gama e Elis Lucien apresentaram este trabalho ligado às causas infanto juvenil e ressaltaram tratar-se de um trabalho de educomunicação que acontecerá na sede de Belterra e em três comunidades rurais ribeirinhas, utilizando como metodologia, oficinas de educação e comunicação comunitária com práticas de uso de ferramentas tecnológicas multimidiáticas direcionadas para adolescentes e jovens.

Durante este período, acontecerão quatro ciclos de oficinas de educomunicação integradas à campanhas e conteúdos educativos, com apoio da Prefeitura, incentivando e valorizando o perfil de liderança juvenil local, sendo que as iniciativas sócio-educativas juvenis terão apoio logístico, alimentação e material didático. Por sua vez, o CMDCA de Belterra convidou o PSA a participar da elaboração do plano de ações dos Conselhos, sendo que estas propostas do Projeto poderiam fazer parte deste documento.

Na ocasião, Silmara Rodrigues, do gabinete da Prefeitura e articuladora do SELO Unicef em Belterra, aproveitou o momento para informar sobre a realização do I Fórum Comunitário, compromisso firmado pelos governos da Amazônia. A finalidade do evento é levantar um diagnóstico municipal que envolva toda a sociedade belterrense com debates coletivos sobre políticas públicas e indicadores sociais que garantem os direitos das crianças.

Os encaminhamentos finais ficaram para os conselhos mobilizarem a participação juvenil e indicarem como propostas de trabalho, temas ligados às situações problemas mais enfrentados no município, como: violência contra as crianças, abusos e drogas ilícitas (consumo).

Santarém realiza I Fórum Comunitário do Selo UNICEF Município Aprovado

26 de maio de 2014 por Adriane Gama
Jovens Agentes Comunitários da Resex Tapajós-Arapiuns

Jovens Agentes Comunitários da Resex Tapajós-Arapiuns

Com o tema “Eu e meu município crescendo juntos!”, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com a Prefeitura Municipal de Santarém realizaram pela manhã do dia 15 de maio, no auditório do IESPES, o I Fórum Comunitário de Santarém – Selo UNICEF Município Aprovado – Edição 2013 – 2016. A finalidade do evento foi levantar um diagnóstico para elaborar um plano de ação municipal com a estratégia de aperfeiçoar políticas públicas que garantem os direitos das crianças, atendendo o cumprimento das metas da Agenda Criança Amazônia, compromisso firmado pelos governadores da Amazônia Legal.

A abertura contou com uma mesa cerimonial formada pela senhora Aparecida Nogueira, presidente da COMDCA (Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes), a vice-prefeita Maria José, o prefeito Alexandre Von e a adolescente Tamiris Santa Bárbara, pela Pastoral do Menor. Na plenária estavam presentes diretores das escolas da cidade, de várzea e da região de rios, presidentes de associação de bairro, servidores das secretarias (saúde, juventude, educação, trabalho e assistência social), conselho tutelar, alunos, professores e Projeto Saúde e Alegria (PSA).

A articuladora municipal, professora Gervânia Vasconcelos, explicou a metodologia do encontro dividida em dois momentos: a primeira parte, através de grupos de trabalho, foi realizado o diagnóstico da situação atual dos direitos infanto juvenil no município através das atividades: análise de uma imagem, apontando os direitos garantidos e direitos violados, e do mapeamento de serviços prestados às crianças e adolescentes. Na segunda e última parte, a plenária retornou para o auditório para a votação de uma planilha de sistematização dos objetivos de impactos referentes aos direitos das crianças, construindo um prévio plano de ação a partir do conhecimento dessas garantias.

Para este encontro, o PSA, através do projetos da UNICEF e Petrobrás, teve a oportunidade de convidar seis jovens das comunidades ribeirinhas que atuam diretamente com a mobilização comunitária sobre os direitos das crianças e dos adolescentes: Ingrid Natália e Mônica Andressa, de Anã – Rio Arapiuns, Adaías Vasconcelos e Lizikiara Reis, de Parauá e Dorotéia Vasconcelos e Tássia Cinara, de Suruacá – Rio Tapajós, os quais puderam compartilhar suas conquistas e desafios que enfrentam nesta região. Estavam ainda presentes as diretoras da região dos rios: Cassiana, de Vila de Amorim e Renata Godinho, de Anã, educadoras e grandes incentivadoras de suas comunidades.

Santarém, um dos municípios já aprovados pelo Selo UNICEF, tem como objetivo garantir até o final desta edição, sua aprovação novamente. As crianças agradecem!

*O Selo Unicef é um instrumento para que o Brasil cumpra as metas do Pacto pela Infância e Adolescência visando garantir os direitos, na prática, às políticas públicas conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, assim reduzir as disparidades regionais e apoiar o Brasil no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

*http://www.unicef.org.br/

Encontros de arte-educação mobilizam crianças ribeirinhas

20 de fevereiro de 2014 por Adriane Gama

circo_cri_rola

Criança da roça que está com a razão, com direito à saúde e à educação…”

Ao ritmo contagiante do tema da sessão “As Aventuras do Teca e Zeca, do programa de rádio da Rede Mocoronga, vamos apresentar o balanço geral das primeiras atividades sócio-educativas do Projeto Saúde e Alegria realizadas nos meses de janeiro e fevereiro, em conjunto com as Oficinas de Apresentação do ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) – Incra.

Ao total, estas atividades foram realizadas em 9 comunidades-pólos do Lote 10 e 11(Parauá, Surucuá, Vila do Amorim, Cabeceira do Amorim, Suruacá, Ukena, Capixauã, Pedra Branca e Maripá), os quais estão sob responsabilidade do PSA. Com uma metodologia participativa e lúdica, aconteceram várias dinâmicas e jogos interativos e é claro, as apresentações a parte das crianças no Circo Mocoronga. Tudo de forma bem divertida para se conhecer melhor os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes.

E por falar nelas, tivemos a participação, nestes encontros, de quase 400 crianças ribeirinhas. Conseguimos mobilizar 40 educadores sociais, entre jovens e professores das comunidades, e além do apoio de parceiros da hora, como podemos destacar a arte educadora Marisa Correa, Júlio César (Parauá), Léo Celli – SP e Bruna Thainá, do Coletivo Puraqué.

Aproveitamos esse momento, para agradecer a todas as comunidades ribeirinhas participantes, pelo carinho e atenção com suas crianças e adolescentes. E convidar mais educadores comunitários, os famosos agentes multiplicadores do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), para fortalecer essa rede de proteção especial aos meninos e meninas ribeirinhas. Até os próximos encontros!

Escola Dom Pedro I, Participa de Exposição de Artesanatos Natalinos em Santarém.

14 de dezembro de 2013 por Rosemara Tapajós

Nesta tarde de terça 10/12 aconteceu na escola Dom Pedro I, a grande exposição e concurso de artesanatos natalinos confeccionados pelos alunos do Pré ao 9º ano do Ensino Fundamental. A proposta que veio da SEMED, foi bem disputada na escola e essa disputa levou aos seguintes colocados as turmas : Pré I e Pré II , 1º Lugar; 2º Lugar : Programa Mais Educação;3º Lugar: 4º Ano.Todos os artesanatos foram confeccionados com materiais naturais e alguns materiais foram reciclados, o 1º lugar,  a árvore natal, confeccionado com palha de tucumã; 2º lugar presépio, confeccionado com junco e barro usado para fazer os animais, Maria , José e o Menino Jesus e o 3º Lugar, árvore de natal , confeccionado com papelão, detalhes de garrafa pet, tento e palha de tucumã.Esses artesanatos classificados serão  expostos nesta sexta  13/12 , em uma outra grande exposição e concurso que acontecerá em Santarém  na SEMED.

SAM_7329

 

 

 

 

 

SAM_7331

.

Encontro da Teia Cabocla encerra com a alegria do Circo Mocorongo

9 de dezembro de 2013 por Fábio Pena

circo

Após dois dias de intensos debates entre os 60 jovens que participaram o XIII Encontro da Teia Cabocla de Lideranças Juvenis, promovido pelo Projeto Saúde e Alegria, o evento teve seu encerramento com festa e muita alegria.

A qualidade e a seriedade dos debates sobre os desafios enfrentados hoje pelos jovens da floresta foi destacado como um dos principais pontos positivos deste encontro. Mas, como diz o educador Magnólio de Oliveira, um dos idealizadores da Teia Cabocla, “a alegria não tira nossa seriedade”.

E a alegria esteve presente em todos os momentos do evento, mas foi na noite de sábado, 07/12, que ela mais se destacou, com a apresentação do Circo Mocorongo de Saúde e Alegria. Os jovens foram desafiados a prepararem apresentações criativas traduzindo de forma bem-humorada os temas que foram discutidos.

Um jovem que precisa continuar os estudos, mas enfrenta o dilema de ficar ou ir para a cidade porque em sua comunidade não tem o ensino médio. Outro jovem que pensa em ficar na comunidade, mas não tem alterativas de se sustentar e ter uma renda melhor do que seus pais tiveram. Foram algumas das esquetes apresentadas de forma bastante divertidas, entremeadas pela participação dos palhaços da equipe do Saúde e Alegria.

Quando a última música do circo tocou, era hora de despedida, e aquela sensação de ter vivido um mês em três dias, veio à tona. Era hora de arrumar a bagagem para voltar às comunidades. E a bagagem é muito além do material, mas de responsabilidade comum de lutar para transformar os planos construídos em realidade. Bagagem de ter aumentado a qualidade social, a qualidade cultural e cidadã, de que o futuro somos nós que construímos agora. E a constatação objetiva de que apostar na energia criativa da juventude é a chave para a mudança da realidade.

XIII Teia Cabocla: Desafios e oportunidades para os jovens

7 de dezembro de 2013 por Paulo Lima

desafios

Por Carlos Eduardo Joseph

Até 1998, quando a Resex foi criada, a principal bandeira de luta das comunidades era a conquista do território. E hoje? Em meio à tantas problemáticas quais bandeiras de luta devem ser encaradas como prioridades? São inúmeros os desafios enfrentados no dia a dia da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós – Arapiuns. Tais desafios, na maioria das vezes, tomam proporções maiores entre os jovens, principalmente pelas projeções e expectativa de futuro. Os 52 jovens que participam da XIII Teia Cabocla puderam dar sua opinião sobre o assunto em uma das atividades do encontro.

Através de quatro grupos de trabalho foi promovido um debate intenso sobre os desafios e oportunidades dentro da Resex. Diversas temáticas foram citadas, entre elas a melhoria no acesso à saúde, destinação adequada do lixo domiciliar produzido nas comunidades, melhoria no acesso à comunicação entre outras. Porém as que mais receberam ênfase foram os desafios para implantação do ensino médio regular e a falta de mecanismo que proporcionem a geração de emprego e renda. Interessante observar que os dois desafios mais citados são complementares uma vez que o desenvolvimento econômico, verdadeiro e sustentável, passa necessariamente pela melhoria da educação formal.

A dificuldade no acesso ao ensino médio faz com que muitos jovens deixem suas comunidades e migrem para Santarém com a intenção de concluir o ensino básico. Este fluxo migratório desencadeia diversos problemas característico do êxodo rural como inchaço urbano e pessoas vivendo em condições sociais precárias em bairros periféricos. Em outras comunidades da Resex existe acesso ao ensino médio porém na modalidade modular.

O ensino modular faz parte de um programa da Secretaria Estadual de Educação e é uma alternativa de Ensino Médio Regular em comunidades do interior que não possuem escolas estaduais. A metodologia é diferenciada do ensino regular e as disciplinas são oferecidas por módulos. De acordo com os jovens da Resex o ensino modular, apesar de ser uma alternativa para concluir o ensino básico, não é adequado.

Entre as diversas situações relatadas está a demora para os professores chegarem às comunidades, seja por falta de sala de aula ou de alojamento. Algumas vezes a demora de um módulo para o outro desestimula os estudantes e muitos acabam desistindo da escola. Outro fato é a baixa qualidade do ensino. Ivana Oliveira de Cachoeira do Aruã conta que o ensino médio inadequado acaba tirando o sonho de entrar em uma universidade. “Entrar em uma faculdade estudando português por 15 dias não dá”, desabafa a jovem.

Sobre a dificuldade em geração de emprego e renda muitos foram os fatores e também as alternativas apontadas. A mais evidente retorna à problemática anterior da dificuldade no acesso à educação de qualidade. Os jovens da Resex esperam melhorias na educação através de acesso a cursos superiores e também de capacitação técnica. Entre as alternativas apontadas está a implantação de polos universitários e de escolas técnicas, para que não seja necessário abandonar a comunidade em busca de qualificação. “Hoje quem não tem capacitação está perdido”, enfatiza Natalina Oliveira da Comunidade Boim.

Também foi defendido que haja capacitação para estimular o espírito empreendedor nos jovens, partindo da exploração sustentáveis dos recursos da Resex. Uma das experiências de empreendedorismo, compartilhadas nos grupos de trabalho, foi a do jovem José Chaves da Comunidade Surucuá. José conta que investiu, através de financiamento bancário para microempreendedores, na construção de uma casa de farinha e hoje tem uma fonte de renda própria. “Há muitas alternativas para geração de renda dentro da Resex, basta a gente saber o que fazer”, ressalta José.

Apesar de serem muitos os desafios todos acreditam que é possível superá-los com a união e espírito comunitário. “Temos muitos desafios e eles só podem ser superados pelos jovens”, enfatiza Ivana de Cachoeira do Aruã. Novas conquistas passam necessariamente pelo protagonismo juvenil nas ações que buscam o bem comum e na conquista do espaço pelos jovens nas associações e grupos comunitários.

Teia Cabocla vai discutir desenvolvimento territorial e desafios da juventude

4 de dezembro de 2013 por Paulo Lima

teiacabocla.redimensionado

Vindos de mais de 30 comunidades ribeirinhas atendidas pelo Projeto Saúde e Alegria, cerca de 100 jovens irão se reunir nos dias 05, 06 e 07/12/2013 em Santarém, para discutir os desafios da juventude na perspectiva dos territórios onde vivem, na bacia dos Rios Tapajós e Arapiuns, como a Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, a Floresta Nacional do Tapajós e Assentamentos onde estão localizadas suas comunidades. É o XIII Encontro Teia Cabocla, evento tem apoio da Fundação Telefônica / Vivo, Fundação Konrad Adenauer e Fundo Vale.

Os Encontros da Teia Cabocla são eventos anuais realizados pelo Projeto Saúde e Alegria reunindo todos os grupos de jovens que participam de projetos desenvolvidos pela organização, principalmente a Rede Mocoronga de Comunicação Popular, promovendo a inclusão digital das comunidades e onde os adolescentes protagonizam a prática da comunicação comunitária disseminando campanhas educativas de saúde, direitos da criança, educação ambiental e valorização da cultura local.

Entendendo a juventude com um momento importante do desenvolvimento humano, o Projeto Saúde e Alegria sempre se preocupou em criar oportunidades para que possa desenvolver seus potenciais como pessoas, cidadãos e trabalhadores. Desta forma, surgiram outras iniciativas além da comunicação e da promoção da inclusão digital, como a criação de cursos de empreendedorismo visando qualificar a juventude em novas formas de inserção no mundo do trabalho, por meio da inovação, do uso das tecnologias e da economia criativa. Exemplo disso é o curso Jovens Empreendedores do Tapajós, com apoio da Fundação Telefônica / Vivo, que está em sua fase experimental quase finalizando.

Embora estas ações venham contribuindo para elevar as oportunidades de inclusão social da juventude ribeirinha, existem outros desafios que precisam ser compreendidos e levados em conta dentro de uma visão integral do que é estar sendo jovem na região do Tapajós e Arapiuns. Desafios ligados ao passado, ao presente e ao futuro dos territórios em que vivem. No caso da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, por exemplo, onde lutas históricas foram travadas pelas comunidades pela proteção de seu território tradicional, hoje a população tem amparo legal para nela viver e produzir, mas agora enfrentam o desafio de gerir o território e aproveitar seu potencial para desenvolver alternativas econômicas sustentáveis e melhorar as condições de vida de seus moradores. É nas novas gerações que esses desafios mais repercutem.  “O que será da Resex Tapajós/ Arapiuns no futuro se a maioria dos seus jovens saem para morar na cidade em busca de oportunidades? Se as opções de trabalho e renda são bastante restritos e o acesso ao ensino médio, por exemplo, é bastante precário? ”, questiona Paulo Lima, um dos coordenadores do evento.

“Acreditamos ser fundamental o engajamento da juventude nos debates sobre o futuro de seus territórios, não somente porque são eles que vão gerir essas regiões no futuro, mas também porque a energia criativa da juventude pode inspirar novas iniciativas que possam promover mudanças que superem os desafios hoje existentes”, complementa Fábio Pena, educador do Projeto Saúde e Alegria.

Diálogo de gerações

Entre os principais momentos da programação está o “diálogo de gerações”, em que lideranças antigas da Resex Tapajós/ Arapiuns, que participaram ativamente da luta pela sua criação, vão dialogar com os jovens e lideranças atuais, demonstrando suas percepções sobre o que foram as lutas do passado, em que estágio estão agora, e o que pensam sobre o futuro.

Um dos objetivos da atividade é reavivar na memória das novas gerações as lutas históricas do seu povo, como também promover seu engajamento nas lutas atuais numa perspectiva coletiva atual.

Ativismo para defender direitos da juventude ribeirinha

Outro momento importante da programação será quando os jovens vão realizar um diagnóstico da situação atual, através de trabalhos em grupos, apontando quais suas principais demandas e oportunidades existentes. Os debates vão girar em torno de temas como trabalho e renda; educação formal; identidade cultural e o papel do jovem da floresta para a Amazônia e o mundo; participação e ativismo do jovem na comunidade, no território e nos espaços de cidadania; acesso e direito à comunicação e difusão do conhecimento e da educação comunitária; território e meio ambiente.

Em plenária serão eleitas as principais questões a serem trabalhadas no próximo ano pelo coletivo de jovens da Teia Cabocla. As prioridades serão apontadas pelos próprios jovens, mas os coordenadores já adiantam alguns assuntos que poderão ganhar maior relevância. “Demandas como o acesso ao ensino médio de qualidade, o direito à comunicação, a necessidade de oportunidades de renda para a juventude e questões ambientais como os grandes empreendimentos no Tapajós devem aparecer com mais destaque”, argumenta Fábio Pena.

O encontro vai contar com a presença do coordenador da Escola de Ativismo, Marcelo Marquesini, que falará aos jovens sobre experiências de ativismo para defender causas comuns, ideias ou promover mobilizações na sociedade. “Nossa proposta é trazer elementos para que os jovens possam utilizar melhor os instrumentos que as comunidades já tem acesso, como os telecentros, os blogs, as rádios, as redes sociais para ter uma voz mais ativa sobre questões mais regionais e não apenas localizadas, afinal, os problemas da juventude numa comunidade são bastante comuns nas demais de uma mesma região”, afirma Paulo Lima.

Como resultado do encontro espera-se que os jovens elaborem planos de ação em forma de campanhas para que possam ter um papel mais ativo na defesa de seus próprios direitos.